Especialistas defendem a atualização constante de competências para enfrentar os impactos da inteligência artificial
Especialistas discutiram em debate da agência Servimedia a necessidade de capacitação permanente diante da evolução da inteligência artificial. O encontro abordou a importância da supervisão humana, a regulação para evitar preconceitos e o uso de robótica para a inclusão laboral de pessoas com deficiência. A transformação digital também foi apontada como via para a descentralização econômica de zonas rurais
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A rápida evolução da inteligência artificial impõe a empresas e profissionais a necessidade de atualização constante de competências para acompanhar ferramentas que já alteram a atividade econômica e a dinâmica do emprego. O ritmo acelerado da tecnologia exige que a formação seja permanente, transformando a capacitação em um requisito estratégico para a sobrevivência no mercado.
Durante debate promovido pela agência Servimedia sobre transformação digital inclusiva, especialistas discutiram como a IA impacta a competitividade e o impacto social. Rafael Cía, diretor geral da UNEI, comparou o momento atual a marcos históricos como a invenção da roda ou da eletricidade, afirmando que a tecnologia não pode mais ser ignorada, mas deve ser integrada às estratégias de negócio com foco em ética, segurança e responsabilidade.
Autonomia e a necessidade de supervisão humana
Uma das tendências imediatas é a ascensão dos agentes de inteligência artificial. Diferente dos modelos de linguagem convencionais, esses agentes possuem maior capacidade de decisão e autonomia. No entanto, Daniel Alías, formador do programa "Ferramentas Digitais", alerta que a velocidade das mudanças é tamanha que conteúdos educacionais podem se tornar obsoletos em poucos meses.
Apesar do aumento da autonomia das máquinas, a supervisão humana permanece indispensável. Como a IA está sujeita a erros, a revisão de resultados por pessoas é obrigatória antes que qualquer entrega chegue a clientes, fornecedores ou usuários finais, garantindo que a tecnologia não tome decisões finais de forma isolada.
Inclusão digital e combate a preconceitos
A democratização da tecnologia traz riscos de reprodução de estereótipos. Isabel Rueda, coordenadora de Fundos Europeus da Cepes, defende que a sociedade participe da regulamentação para garantir que os algoritmos sejam inclusivos e acessíveis desde o seu design.
Nesse sentido, Gema González, da Associação Inserta Innovação, destaca a importância de evitar que a IA crie novas barreiras ou preconceitos, especialmente em processos de seleção de pessoal, onde a deficiência não deve ser critério de discriminação na pré-seleção de candidatos.
Impacto na empregabilidade e acessibilidade
A tecnologia e a robótica abrem novas frentes de inserção laboral para pessoas com deficiência. Exemplos práticos incluem:
- Robôs de acompanhamento: Utilizados em aeroportos e estações para auxiliar pessoas com deficiência sensorial, visual ou usuários de cadeiras de rodas.
- Robôs colaborativos: Ferramentas que permitem a execução de tarefas profissionais com apoio tecnológico.
Por outro lado, existe o risco de a automação extinguir postos de trabalho manuais, setor que concentra muitos profissionais com deficiência. A solução apontada por Rafael Cía é a antecipação via formação e adaptação dos postos de trabalho para evitar a exclusão.
Descentralização econômica e ruralidade
A transformação digital também atua na redução de desigualdades geográficas. A expansão do comércio eletrônico e de ferramentas de conectividade permite que empresas e trabalhadores de zonas rurais acessem o mercado global sem a necessidade de migrar para grandes centros urbanos, fomentando o desenvolvimento econômico de territórios afastados.