Europa valida materiais sustentáveis que reduzem o peso de veículos e aviões em até 35%
O projeto FOREST validou materiais compostos sustentáveis que reduzem o peso de componentes para veículos elétricos, aviões e ônibus entre 30% e 35%. A tecnologia utiliza fibras de carbono recicladas e resinas biológicas, diminuindo o consumo de energia produtiva em até 25% e os custos de engenharia em até 20%
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A Europa validou o desenvolvimento de novos materiais compostos sustentáveis capazes de reduzir o peso de veículos elétricos, aviões e ônibus sem abrir mão da segurança ou da resistência mecânica. Coordenado pela AIMPLAS, o projeto FOREST comprovou que a combinação de matérias-primas biológicas, fibra de carbono reciclada e aditivos funcionais permite a substituição de componentes convencionais por versões significativamente mais leves.
Os protótipos desenvolvidos alcançaram uma redução de massa entre 30% e 35% em comparação às peças tradicionais. Para atingir esse resultado, a iniciativa utilizou mais de 50% de materiais sustentáveis, submetendo as peças a rigorosos testes de resistência estrutural, proteção contra interferências eletromagnéticas e comportamento em situações de incêndio.
Eficiência produtiva e redução de custos
Além da leveza dos componentes, a nova abordagem tecnológica otimizou a cadeia de fabricação. O consumo de energia nos processos produtivos caiu entre 15% e 25%, enquanto a implementação de químicas de cura acelerada reduziu os ciclos de produção em um intervalo de 20% a 40%.
A viabilidade econômica também foi impactada positivamente. A simplificação dos moldes e a diminuição do número de iterações de projeto resultaram em uma economia de 15% a 20% nos custos de engenharia.
Aplicações práticas na mobilidade
A aplicabilidade industrial da tecnologia foi demonstrada através de três componentes específicos:
- Veículos elétricos: Uma tampa de bateria fabricada via moldagem por compressão, utilizando bio-benzoxazina reforçada com fibra de carbono reciclada, além de blindagem eletromagnética biológica e aditivos ignífugos.
- Aviação: Um painel leve para o teto de cabines aeronáuticas, composto por organochapas de fibra de carbono reciclada com sobremolde em Bio-PA.
- Transporte coletivo: Um perfil estrutural para tetos de ônibus, produzido por pultrusão termoplástica — técnica automatizada que une Bio-PA e fibra de carbono reciclada.
Inovação química e circularidade
O projeto explorou três famílias de resinas biológicas: acrílica, biopoliamida 6 e bio-benzoxazina. Esta última apresentou destaque técnico, atingindo entre 85% e 87% de carbono renovável após a otimização de sua estabilidade térmica, comportamento mecânico e cura.
No campo da economia circular, a iniciativa conseguiu recuperar até 100% de resíduos de fibra de carbono, transformando-os em materiais semiacabados de alto desempenho. Testes confirmaram que as fibras recuperadas preservam a maior parte de suas propriedades mecânicas originais.
De acordo com Fernando Ramos, coordenador do projeto na AIMPLAS, a integração de funcionalidades múltiplas e materiais de origem biológica redefine os compostos avançados para a mobilidade, provando que a sustentabilidade e a segurança são objetivos compatíveis.