Tecnologia

Ex-diretor da Ubisoft afirma que a implementação da inteligência artificial em jogos é inevitável

02 de Junho de 2026 às 12:12

Clint Hocking, ex-diretor da Ubisoft, afirmou à revista EDGE que a inteligência artificial generativa é inevitável no desenvolvimento de jogos. O executivo negou a substituição de profissionais por IA em suas equipes e citou a utilidade de modelos de linguagem para a criação de NPCs

Ex-diretor da Ubisoft afirma que a implementação da inteligência artificial em jogos é inevitável
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Clint Hocking, ex-diretor de jogos da Ubisoft, defende que a implementação da inteligência artificial generativa no desenvolvimento de games é inevitável, deslocando o debate da possibilidade de uso para a forma como a sociedade deve ser amparada durante essa transição tecnológica. Em entrevista à edição 424 da revista EDGE, de julho de 2026, o veterano comparou o impacto transformador da IA à mudança histórica que reduziu a força de trabalho agrícola de 90% para 10% da população.

Durante sua passagem recente pela Ubisoft, onde atuou no projeto Assassin's Creed Hexe antes de deixar a empresa no início deste ano, Hocking observou a criação de ferramentas internas de IA focadas em aumentar a eficiência dos estúdios. Ele refuta a ideia de que a tecnologia esteja substituindo integralmente os profissionais, afirmando que não houve demissões em massa em sua equipe para manter a mesma produtividade, nem a substituição de colaboradores por modelos de IA. Para o executivo, a tecnologia não é utilizada para gerar modelos de personagens que sejam inseridos diretamente nos jogos sem intervenção humana.

A aplicação prática de Large Language Models (LLMs) teria sido especialmente útil em Watch Dogs: Legion, título lançado em 2020 e último projeto de Hocking. O jogo permitia que quase qualquer personagem não jogável da Londres fictícia fosse recrutado para se tornar jogável, o que gerou desafios complexos na criação de vozes e histórias individuais para cada NPC. Na época, a equipe investigou a possibilidade de gerar esse conteúdo automaticamente, mas a tecnologia disponível não era suficiente. Hocking avalia que, se as versões iniciais de LLMs estivessem acessíveis quatro anos atrás, a empresa teria aprofundado a investigação sobre a geração de falas e vozes, dependendo do contexto cultural do momento.

Enquanto a Sony já integra a IA em seus próprios estúdios, a indústria enfrenta resistência de jogadores entusiastas, como evidenciado por polêmicas envolvendo a Larian no início do ano. No entanto, Hocking mantém a visão de que a tecnologia já está consolidada no processo produtivo.

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