Genesis AI cria robô com design discreto para reduzir a resistência de consumidores a humanoides
A Genesis AI criou o Eno, um agente físico com design retrátil, rodas e braços de alta precisão, controlado pelo modelo Gene. Dez unidades foram produzidas na China, com previsão de venda para clientes industriais até o fim deste ano. A montagem será transferida para os Estados Unidos no final de 2026
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A Genesis AI desenvolveu o Eno, um agente físico projetado para solucionar a resistência dos consumidores a robôs com aparência humana. Diferente dos humanoides convencionais, o dispositivo adota o conceito de "inteligência discreta", priorizando a funcionalidade e a versatilidade sem mimetizar a forma humana, assemelhando-se mais a um móvel de alta qualidade do que a uma pessoa sintética.
O design do Eno é centrado na capacidade de se retrair. A máquina utiliza uma coluna central de painéis articulados que permitem que o robô permaneça dobrado e ocupe pouco espaço quando inativo, ativando-se e desdobrando sua estrutura apenas quando solicitado. Para evitar a sensação de dominação ou desconforto no usuário, a empresa optou por eliminar traços faciais e a cor verde dos protótipos iniciais, definindo a versão final em branco. A comunicação é feita por meio de uma tela grande na parte superior, interface cognitiva opcional que oferece maior densidade de informação do que a interação puramente verbal.
No aspecto técnico, a base do robô utiliza rodas em vez de pernas mecânicas, escolha motivada por demandas de clientes que buscam maior estabilidade operacional e eficiência energética. Já a parte superior do torso mantém a anatomia humana para garantir a destreza necessária na manipulação de ferramentas. O Eno possui braços com mãos robóticas patenteadas que oferecem 20 graus de liberdade ativos e reversíveis, permitindo a manipulação de objetos com precisão de frações de milímetro e flexibilidade orgânica para evitar quebras.
O sistema é controlado pelo Gene, um modelo fundamental que serve como cérebro central. Em vez de códigos rígidos, o Gene foi treinado com centenas de horas de dados de atividades humanas, permitindo que a máquina aprenda as leis do movimento e execute tarefas com fluidez natural, sem a necessidade de gestos humanoides artificiais.
Atualmente, a Genesis AI produziu um lote inicial de dez unidades na China. A empresa planeja transferir a montagem para os Estados Unidos no final de 2026, embora a migração da cadeia de suprimentos seja mais lenta devido ao domínio chinês no setor.
A estratégia de implementação ocorrerá em três etapas. Até o fim deste ano, o Eno será destinado a clientes industriais, como laboratórios, empresas de logística e linhas de produção automotiva. A segunda fase levará o robô a hotéis e hospitais, enquanto o uso doméstico e em ambientes externos será a etapa final. A empresa prevê um período de cerca de um ano e meio de desenvolvimento para aprimorar a confiabilidade do sistema antes de iniciar a implantação em larga escala.
Esse movimento ocorre em um cenário de forte concorrência global. Enquanto a Tesla aprimora o Optimus e a Figure implanta máquinas bípedes em fábricas, empresas como Unitree Robotics e Ubtech já comercializam modelos industriais. A China lidera a expansão do setor, representando 54% das implantações globais em 2024, com a instalação de 295 mil robôs industriais, impulsionada por políticas governamentais para suprir a redução da população ativa.