Tecnologia

IA da Anthropic identifica falhas de software desconhecidas por décadas em poucas semanas de testes

15 de Setembro de 2026 às 06:53 3 min de leitura

A Anthropic lançou o Mythos, modelo de IA que identificou falhas zero-day antigas no OpenBSD e FFmpeg. Em resposta, 12 empresas criaram o Project Glasswing, investindo 100 milhões de dólares em créditos de acesso e aportes em código aberto. Paralelamente, IBM e Red Hat destinaram 5 bilhões de dólares ao Project Lightwell para corrigir vulnerabilidades em bibliotecas de software livre

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IA da Anthropic identifica falhas de software desconhecidas por décadas em poucas semanas de testes
Reuters

A detecção de vulnerabilidades de software atingiu um novo patamar de velocidade e precisão com o lançamento do Mythos, um modelo de inteligência artificial desenvolvido pela Anthropic. A ferramenta demonstrou a capacidade de identificar milhares de falhas do tipo zero-day — vulnerabilidades desconhecidas até mesmo pelos fabricantes — em poucas semanas de testes.

O impacto prático dessa tecnologia foi evidenciado pela descoberta de brechas críticas que resistiram a décadas de auditorias humanas. Entre os casos mais notáveis, o Mythos localizou uma falha de 27 anos no sistema operacional OpenBSD e outra de 16 anos no FFmpeg, uma biblioteca de código aberto essencial para o processamento de áudio e vídeo em diversos produtos digitais.

Mobilização do setor tecnológico

A eficiência da IA em encontrar falhas reduziu drasticamente o tempo entre a descoberta de uma vulnerabilidade e a sua possível exploração, transformando um intervalo que antes era medido em meses para apenas alguns minutos. Diante desse cenário, 12 gigantes das finanças e tecnologia, incluindo Amazon, Apple, Google, Microsoft, NVIDIA, Cisco e JPMorgan Chase, formaram uma coalizão com a Anthropic em abril deste ano.

Batizado de Project Glasswing, o grupo decidiu agir preventivamente, sem a necessidade de regulamentações governamentais ou multas. A iniciativa incluiu:

  • Investimento de 100 milhões de dólares em créditos de acesso ao modelo de IA para que pesquisadores de segurança pudessem mitigar riscos antes de possíveis ataques.
  • Aporte de milhões de dólares adicionais para fundações de código aberto, como a OpenSSF e a Apache.

Movimento similar foi adotado pela OpenAI, que lançou o Trusted Access for Cyber, oferecendo acesso controlado a modelos de defesa cibernética para equipes de segurança.

Infraestrutura para código aberto

A dependência global de componentes de open source criou um gargalo de segurança, já que mais de 90% das grandes corporações utilizam bibliotecas de código aberto que carecem de manutenção sistemática. Para enfrentar essa fragilidade, a IBM e a Red Hat anunciaram, em 28 de maio, um acordo de 5 bilhões de dólares para a criação do Project Lightwell.

O projeto visa estabelecer uma "câmara de compensação" para o código aberto, funcionando como uma infraestrutura dedicada a identificar, validar e corrigir vulnerabilidades em bibliotecas de software livre que sustentam a economia digital.

Essa mudança de postura indica que a cibersegurança, anteriormente tratada como um custo interno de cada organização, passou a ser vista como um esforço coletivo. A percepção de que a proteção de ecossistemas comuns é a maneira mais eficiente de garantir a segurança individual levou o mercado a antecipar soluções antes mesmo de qualquer intervenção legislativa.

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