Inteligência artificial torna-se pilar estratégico para a defesa proativa contra ameaças cibernéticas em setores críticos
A inteligência artificial é utilizada em setores como finanças, energia e telecomunicações para a defesa proativa contra fraudes e deep fakes. Empresas focam na soberania tecnológica, governança de dados e resiliência para mitigar riscos em cadeias de valor. O cenário exige a contratação e o treinamento contínuo de profissionais especializados
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A integração da inteligência artificial (IA) na segurança cibernética tornou-se um pilar estratégico para a continuidade de negócios em setores críticos, como finanças, energia e telecomunicações. O foco central da tecnologia agora reside na capacidade de antecipar riscos e neutralizar ameaças antes que criminosos digitais as executem, transformando a IA em uma ferramenta de defesa proativa contra fraudes e deep fakes.
Gestão de riscos e soberania tecnológica
A adoção da IA está redefinindo as vulnerabilidades organizacionais, exigindo que as empresas integrem resiliência, regulamentação e soberania tecnológica em suas estratégias. Rubén Frieiro, da Deloitte, destaca que a segurança cibernética é o motor que preserva a confiança e permite a inovação segura, defendendo a aceleração dos processos de adaptação, especialmente nas áreas de defesa e segurança.
Um ponto crítico nessa transição é a gestão da cadeia de valor. A dependência de fornecedores e terceiros amplia a superfície de ataque, tornando essencial o controle rigoroso sobre a soberania dos dados para evitar a perda de governança sobre informações sensíveis.
Equilíbrio entre agilidade e governança
A velocidade proporcionada pela IA é um diferencial competitivo, mas não pode comprometer a integridade dos sistemas. Borja Gómez, da Oracle, ressalta que a rapidez na execução de tarefas deve ser acompanhada por modelos de rastreabilidade e segurança de dados. Para ele, a regulamentação não é um entrave, mas uma oportunidade para inovar com segurança.
Essa visão é compartilhada por outros setores:
- Energia: Na Moeve, a IA fortaleceu princípios operacionais, mas a empresa prioriza a medição do retorno sobre o investimento em vez de uma adaptação a qualquer custo.
- Construção: A OHLA adotou uma postura de cautela, implementando a governança antes da execução tecnológica para evitar o vazamento de dados e exigir requisitos rigorosos de seus parceiros externos.
Resiliência no setor financeiro e capital humano
No segmento bancário, a estratégia migrou para a simulação de ataques. Adolfo Hernández, do Banco Sabadell, defende que as instituições devem operar sob a premissa de que o adversário possui capacidades superiores, focando na resiliência e na preparação para incidentes, já que o risco zero é inexistente. A regulamentação, neste caso, serve como guia para a alta gestão controlar a terceirização de serviços.
Além da infraestrutura técnica, a evolução da IA demanda a reformulação do mercado de trabalho. Há um consenso sobre a necessidade de contratar profissionais com bases sólidas e investir em treinamento contínuo. No entanto, existe a preocupação com a retenção de talentos especializados, especialmente na Espanha, onde a falta de indústria capaz de absorver a mão de obra qualificada das universidades tem provocado a evasão de profissionais.