Tecnologia

Jeff Bezos funda startup de inteligência artificial focada em engenharia avaliada em 41 bilhões de dólares

21 de Junho de 2026 às 06:21

Jeff Bezos fundou a Prometheus, startup de inteligência artificial avaliada em US$ 41 bilhões para desenvolver um engenheiro artificial geral. A empresa utiliza dados industriais e científicos restritos para criar softwares aplicáveis ao design de motores, chips e materiais

Jeff Bezos funda startup de inteligência artificial focada em engenharia avaliada em 41 bilhões de dólares
Reuters/Abdul Saboor

Jeff Bezos fundou a Prometheus, uma startup de inteligência artificial avaliada em US$ 41 bilhões, com o objetivo de desenvolver o que é chamado de "engenheiro artificial geral". Diferente de modelos de linguagem como os do Google, Anthropic ou OpenAI, a empresa não foca em tarefas de escrita, resumos ou criação de vídeos, mas sim em sistemas capazes de atuar em diversas disciplinas de engenharia, abrangendo desde o design de motores até a fabricação de chips e novos materiais.

O projeto, que começou a ganhar forma em 2024, é liderado por Vik Bajaj, profissional com experiência no Google X e em projetos como Waymo e Verily. A estratégia da Prometheus consiste em criar um software que domine leis da física, termodinâmica e ciência dos materiais em escala superior à de qualquer especialista humano. Para isso, a empresa não utiliza a raspagem de dados da internet pública, mas baseia seu treinamento em dados industriais e científicos restritos a laboratórios e fábricas.

Para viabilizar a aplicação prática desse conhecimento, a Prometheus adquiriu no ano passado a General Agents. A compra trouxe o produto Ace, que permite a operação de computadores simulando ações humanas, como a movimentação de arquivos e a execução de tarefas entre diferentes ambientes digitais. Bajaj esclareceu que a empresa não atua na fabricação de hardware ou robótica humanoide, focando exclusivamente no "cérebro de software" que auxiliará a criação de tecnologia física.

Durante a feira Vivatech, Bezos detalhou que a meta é acelerar drasticamente o ciclo de invenção de hardware complexo, que atualmente é lento. Ele citou o desenvolvimento de motores de avião, processo que pode levar dez anos e envolver centenas de profissionais, como um exemplo de tarefa que a IA poderia tornar dez vezes mais rápida. Essa lógica de compressão de tempo no design, simulação e fabricação também será aplicada a veículos e máquinas pesadas.

A iniciativa desloca o debate sobre o impacto da IA, que antes se concentrava em cargos digitais e criativos, para áreas como a engenharia aeronáutica e a pesquisa farmacêutica. Embora a ferramenta possa permitir que tarefas hoje realizadas por cem engenheiros sejam feitas por apenas dez, Bezos defende que isso não eliminará empregos, mas expandirá a capacidade de inovação e a quantidade de projetos simultâneos, limitando o progresso apenas à imaginação humana.

Paralelamente a esse movimento, Bezos mantém seu foco na exploração espacial com a Blue Origin. A empresa prepara o lançamento do foguete New Glenn para o final do ano e obteve um contrato da NASA para a implementação de uma base na Lua, buscando reduzir a distância competitiva em relação à SpaceX.

Enquanto isso, no setor de tecnologia, Tim Cook deve deixar a liderança da Apple em setembro, após 27 anos dirigindo a companhia, para assumir uma posição executiva ao lado de John Ternus.

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