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JetZero inicia montagem de protótipo que altera o design tradicional da aviação comercial

08 de Julho de 2026 às 07:02

A JetZero iniciou a montagem do protótipo de asa fixa Jet1 na Califórnia, em parceria com a Força Aérea dos EUA. A aeronave de 56 metros de envergadura utiliza polímero reforçado com fibra de carbono para reduzir o consumo de combustível. O projeto prevê a construção de um complexo fabril na Carolina do Norte para a produção do modelo Z4 até a década de 2030

JetZero inicia montagem de protótipo que altera o design tradicional da aviação comercial
Rendering 3D del avión de fuselaje integrado de JetZero.

A JetZero iniciou a montagem do Jet1, seu primeiro protótipo comercial de asa fixa, em parceria com a Força Aérea dos EUA. A construção ocorre na Scaled Composites, filial da Northrop Grumman em Mojave, Califórnia, e propõe a primeira alteração geométrica relevante na aviação comercial desde a transição das hélices para os motores a reação.

O projeto rompe com o design tradicional de tubo e asas, utilizado há sete décadas, sob a premissa de que a estrutura convencional é ineficiente. No modelo de asa fixa, a separação entre o corpo e as asas é eliminada, permitindo que toda a aeronave contribua para a sustentação. Essa mudança reduz a resistência aerodinâmica, equilibra a distribuição de tensões e dispensa o esqueleto de reforço pesado necessário em aviões comuns para evitar a deformação da fuselagem. O impacto prático esperado é a redução do consumo de combustível em cerca de metade, embora estimativas do setor apontem para um ganho entre 30% e 40%.

O Jet1 é uma aeronave operacional em tamanho real, com envergadura de 56 metros — dimensão superior ao comprimento total de um Boeing 767. O protótipo visa validar a aerodinâmica, a resistência estrutural, a viabilidade do processo de fabricação em escala e a eficiência dos sistemas de controle de voo. O sucesso desses testes é o passo necessário para a certificação da FAA e a posterior viabilização do Z4, a versão de produção destinada às companhias aéreas.

Para viabilizar a estrutura, a JetZero substituiu o alumínio e os parafusos por polímero reforçado com fibra de carbono, material mais leve e resistente à fadiga e corrosão. Para superar a limitação de tamanho dos autoclaves convencionais, que não comportariam as peças do projeto, a empresa desenvolveu um método de construir o forno ao redor da aeronave. A companhia utiliza ainda a técnica de "cocurado", unindo e aquecendo múltiplas peças compósitas simultaneamente, o que diminui a necessidade de mão de obra e reduz o peso final. A produção avança do nariz para a cauda, permitindo que a montagem comece enquanto os detalhes da parte traseira são finalizados. A FAA já transferiu a revisão do projeto para sua agência de certificação de aeronaves de transporte, sinalizando maturidade no design.

A estratégia de escala industrial inclui a construção de um complexo fabril de 4,7 bilhões de dólares no Aeroporto Internacional Piedmont Triad, em Greensboro, Carolina do Norte. A instalação ocupará 240 hectares, com 743 mil metros quadrados de área industrial, e conta com o maior pacote de incentivos estatais já concedido a uma startup na região, com previsão de gerar 14.500 empregos em dez anos.

Para a implementação da fábrica, a JetZero desenvolve um modelo digital completo com apoio da Siemens e da Deloitte, utilizando inteligência artificial. O objetivo final do complexo é a produção em série do Z4, modelo com capacidade para 250 passageiros, com meta de operação em rotas comerciais no início da década de 2030 e uma capacidade produtiva de até vinte aeronaves por mês.

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