Le Random lança plataforma interativa que mapeia a evolução da arte generativa desde a pré-história
A instituição Le Random lançou a Living Timeline, plataforma interativa com 1.147 marcos sobre a evolução da arte generativa. O mapeamento abrange desde registros de 71.000 a.C. até previsões para 2025, incluindo a trajetória da inteligência artificial
:format(jpg)/f.elconfidencial.com%2Foriginal%2F4f1%2F73e%2F848%2F4f173e848d7ebc7879c3617d42721d54.jpg)
A instituição de arte generativa Le Random lançou a Living Timeline, uma plataforma interativa que mapeia a evolução da criação artística baseada em sistemas e algoritmos. O projeto reúne 1.147 marcos temporais, abrangendo desde registros pré-históricos de 71.000 a.C. até previsões para 2025, conectando obras, conceitos e exposições que utilizam máquinas ou regras predefinidas para a composição visual e sonora.
O objetivo central da cronologia é contextualizar a arte generativa para o público geral, demonstrando que a cessão de parte do controle criativo a um sistema autônomo não é um fenômeno recente, mas uma prática intrínseca à história da arte.
A origem do conceito e a evolução técnica
A base teórica da plataforma fundamenta-se na tese de Philip Galanter, professor da Universidade Texas A&M, que define a arte generativa como qualquer prática onde o artista utiliza um sistema — seja ele um programa de computador, uma máquina ou regras em linguagem natural — que contribui para a finalização da obra.
Sob essa ótica, o primeiro registro da linha do tempo é um desenho de linhas entrelaçadas encontrado na caverna de Blombos, na África do Sul, datado de aproximadamente 71.000 a.C. A obra é classificada como generativa pois a disposição das marcas seguiu um algoritmo de simetria executado manualmente, e não uma decisão arbitrária do autor.
Essa lógica de sistemas se estende por diversas eras e estilos, incluindo:
- O uso de espelhos ópticos e linhas de perspectiva no realismo de Diego Velázquez;
- As normas geométricas e cromáticas rigorosas de Piet Mondrian no estilo De Stijl;
- A composição musical baseada em dados e o uso de plôteres controlados por código.
A trajetória da Inteligência Artificial
A plataforma posiciona a IA generativa atual não como uma ruptura súbita, mas como o estágio final de um processo de sete décadas. A seção dedicada à inteligência artificial inicia em 1955, com a proposta de Dartmouth, onde John McCarthy formalizou o termo.
A progressão técnica detalhada na cronologia inclui:
- A criação da primeira rede neural artificial.
- O lançamento do AARON em 1973, programa de Harold Cohen que operava um plôter autonomamente.
- O uso de algoritmos genéticos por Karl Sims em 1994 para a evolução de criaturas digitais.
- A ascensão das redes generativas antagônicas (GANs) em meados de 2010.
- A implementação dos modelos de difusão contemporâneos.
Interatividade e experiência do usuário
Desenvolvida por Peter Bauman, com colaborações de Sasha Stiles e Vuk Ćosić, a Living Timeline oferece múltiplas formas de navegação. O usuário pode explorar o conteúdo de maneira cronológica, por meio de visitas guiadas ou através de nuvens interativas de ideias e mapas de pessoas organizados por disciplinas.
Para tornar a teoria tangível, a plataforma disponibiliza 36 máquinas de arte generativa interativas, permitindo que o visitante opere os algoritmos. Há ainda a função "jogar um momento", que direciona o usuário para um evento aleatório da história, em homenagem ao Musikalisches Würfelspiel de 1757, sistema criado por Johann Philipp Kirnberger para compor música através do lançamento de dados.