OceanWell desenvolve tecnologia para transformar água marinha em potável na Califórnia
Um projeto de dessalinização submarina está sendo desenvolvido na Califórnia pela empresa OceanWell. O objetivo é criar uma "fazenda de água" que produza 227 milhões de litros por dia, reforçando o abastecimento hídrico para parte do sul da Califórnia. A tecnologia utiliza membranas de osmose reversa e pressão natural do fundo mar para reduzir em até 40% o consumo de energia comparado às usinas convencionais
Um projeto inovador de dessalinização submarina está sendo desenvolvido na Califórnia para transformar água do mar em água potável. A empresa OceanWell, líder do projeto, propõe instalar cápsulas tecnológicas a cerca de 400 metros de profundidade no oceano Pacífico, na região da Baía de Santa Mônica.
A ideia é criar uma "fazenda de água" que possa produzir até 60 milhões de galões (227 milhões de litros) por dia. Essa capacidade poderá reforçar o abastecimento hídrico para parte do sul da Califórnia, região marcada pela seca e disputas pelo uso da água.
A principal diferença entre esse modelo e as usinas tradicionais é a forma de pressurização da água durante a filtragem. Em vez de usar bombas elétricas para empurrar a água contra membranas, o sistema desenvolvido pela OceanWell aproveita a pressão natural do fundo do mar.
Essa inovação pode reduzir em até 40% o consumo de energia comparado às usinas convencionais. Além disso, os módulos submersos serão conectados à terra por tubulações responsáveis pelo transporte da água tratada, evitando a necessidade de instalações industriais próximas ao litoral.
A tecnologia utilizada é baseada em membranas de osmose reversa e foi projetada para reter contaminantes presentes na água do mar. O padrão de pureza obtido pode atender aos requisitos sanitários exigidos nos Estados Unidos.
O projeto também inclui medidas voltadas à operação em ambiente marinho, como o sistema LifeSafe, que visa reduzir o impacto sobre organismos microscópicos presentes na água. A devolução da salmoura gerada após a dessalinização será feita em águas profundas e frias.
A OceanWell afirma ter desenvolvido um arranjo para manter os módulos submersos funcionando por longo tempo, mas especialistas apontam que a substituição periódica de componentes como membranas filtrantes pode ser mais complexa em estruturas submarinas do que em unidades terrestres.
O projeto prevê estar conectado à infraestrutura terrestre e operar plenamente até 2030. A expectativa é que o sistema seja capaz de reforçar a oferta hídrica para parte da região, mas ainda há desafios a serem superados antes do seu início das atividades.