Tecnologia

Professora de Oxford questiona a infalibilidade das previsões tecnológicas em novo livro sobre inteligência artificial

14 de Junho de 2026 às 12:08

A professora de Oxford Carissa Véliz lança o livro "Profecia (Debate)", no qual questiona a infalibilidade das previsões tecnológicas do Vale do Silício. A obra analisa a substituição de métodos ancestrais por modelos de inteligência artificial e os riscos de usar probabilidades algorítmicas em decisões judiciais, financeiras e profissionais

Professora de Oxford questiona a infalibilidade das previsões tecnológicas em novo livro sobre inteligência artificial
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A filósofa e professora da Universidade de Oxford, Carissa Véliz, lança o livro "Profecia (Debate)", obra onde questiona a crença na infalibilidade das previsões tecnológicas promovidas por empresas do Vale do Silício. A autora analisa a transição do desejo humano de antecipar o futuro — anteriormente atribuído a oráculos, xamãs e astrologia — para a atual dependência de modelos de inteligência artificial que prometem precisão matemática.

Véliz argumenta que, embora as ferramentas tenham mudado, o uso político dessas previsões permanece semelhante ao de métodos ancestrais. Para a professora, a IA pode ser aplicada dentro de um rigor científico, mas muitas de suas implementações, especialmente em contextos sociais e políticos, carecem de base científica. Nesse sentido, as previsões algorítmicas sobre o comportamento humano e a democracia assemelham-se a antigos oráculos, repetindo abusos históricos de interpretação.

A obra alerta para o risco de substituir fatos reais e critérios de justiça por probabilidades algorítmicas. A autora destaca que tais previsões raramente são neutras, estando frequentemente atreladas a interesses de poder ou modelos de negócio.

Um ponto central da análise é a capacidade dessas projeções de atuarem como profecias autorrealizáveis. Segundo Véliz, previsões sobre pessoas exercem uma força de atração que molda as expectativas e torna o resultado previsto mais provável de ocorrer. Esse mecanismo gera impactos práticos e riscos concretos em decisões críticas, como a concessão de empréstimos, a contratação de profissionais, a locação de imóveis e a aplicação de sentenças no sistema judiciário.

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