Sam Altman define três cenários possíveis para o desenvolvimento da superinteligência na OpenAI
Sam Altman, CEO da OpenAI, estabeleceu o prazo de um ano para definir a estratégia da empresa diante de três cenários para a superinteligência: a criação de um organismo mundial de supervisão, a fusão de laboratórios em controle unificado ou o domínio econômico via automejora recursiva. A companhia busca captar US$ 30 bilhões em investimentos enquanto divergem as visões sobre a regulação do setor
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Sam Altman, CEO da OpenAI, definiu três cenários possíveis para o desfecho da corrida pela superinteligência — sistemas de IA com capacidades superiores às humanas em quase todas as áreas. Em reunião com funcionários, o executivo estabeleceu o prazo de um ano para decidir qual estratégia a empresa deve adotar, enfatizando a necessidade de manter a competitividade frente aos rivais durante esse período.
Modelos de governança e controle global
A primeira alternativa defendida por Altman prevê a criação de um organismo mundial de supervisão, inspirado na Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). Esta entidade seria responsável por impor normas de segurança, realizar auditorias em modelos e monitorar a capacidade de processamento e o consumo energético de projetos que superem limites pré-estabelecidos.
Embora Altman tenha defendido publicamente essa estrutura em maio de 2023, junto a Greg Brockman e Ilya Sutskever, a proposta enfrenta resistência. Países como a China interpretam a medida como uma tentativa de mascarar a falta de progresso técnico e dificultar a concorrência. Recentemente, Xi Jinping manifestou-se a favor do controle humano sobre a IA, mas Pequim ainda não formalizou a aceitação do mecanismo de aviso de segurança proposto por Scott Bessent, secretário do Tesouro dos EUA.
Colaboração setorial e a automejora recursiva
O segundo cenário, denominado "Plano Demis" em referência a Demis Hassabis, cofundador da DeepMind, sugere a fusão dos grandes laboratórios em uma estrutura similar ao CERN. Nesse modelo, empresas como Google e OpenAI estariam sob um controle unificado, distribuindo os modelos resultantes aos países aderentes. Enquanto Hassabis sugere que o setor se autogestione por meio de um órgão regulador próprio, a implementação desse plano tornaria a OpenAI irrelevante como entidade independente.
A terceira possibilidade, chamada de "Plano Eliezer", baseia-se nas teorias de Eliezer Yudkowsky. Este cenário prevê que a primeira empresa a alcançar a automejora recursiva — a capacidade de a IA aprimorar a si mesma — obtenha um poder econômico tão vasto que consiga desativar as GPUs (chips de processamento) de todos os concorrentes. Embora Yudkowsky tenha sugerido em 2022 o uso de nanomáquinas para impedir a criação de IAs não alinhadas, a versão de Altman foca no domínio econômico para neutralizar a concorrência. O CEO da OpenAI classificou essa perspectiva como terrível, mencionando-a apenas para esgotar todas as possibilidades.
Impasses regulatórios e movimentações políticas
No campo político, a Casa Branca estabeleceu a Super Intelligence Force, grupo de trabalho liderado por Jay Clayton. A entidade já aprovou sua carta fundacional e exige que laboratórios reportem e corrijam comportamentos inadequados de seus modelos, embora a eficácia prática dessa medida seja questionada.
No setor privado, OpenAI, Google e Anthropic tentam criar uma autoridade comum de padrões, mas divergem sobre quem deve realizar os testes dos modelos. Mark Zuckerberg, da Meta, e Jensen Huang, da Nvidia, opõem-se a essas regras, classificando-as como "regulação por captura", estratégia que beneficiaria as grandes empresas ao criar barreiras para novos competidores.
Enquanto define o rumo estratégico para o próximo ano, a OpenAI trabalha para captar US$ 30 bilhões em investimentos, antecipando-se a uma possível oferta pública de ações da Anthropic.