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Sergey Brin retorna ao Google para desenvolver inteligência artificial com automejora recursiva

19 de Setembro de 2026 às 06:35 3 min de leitura

Sergey Brin retomou a operação do Google para desenvolver inteligência artificial com automejora recursiva, visando sistemas que modifiquem o próprio código sem intervenção humana. A estratégia prioriza a velocidade tecnológica, resultando no afastamento de Demis Hassabis do desenvolvimento cotidiano de produtos

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Sergey Brin retorna ao Google para desenvolver inteligência artificial com automejora recursiva
EFE/EPA/Jill Connelly

Sergey Brin, cofundador do Google, retomou a participação ativa na operação da empresa com um foco estratégico: desenvolver a inteligência artificial com automejora recursiva. O objetivo é criar sistemas, como o Gemini, capazes de detectar erros, reescrever o próprio código e modificar a engenharia de seus modelos de forma autônoma, eliminando a necessidade de intervenção humana.

Essa movimentação marca a ascensão de uma vertente "aceleracionista" dentro da Alphabet. Como reflexo disso, Demis Hassabis, cientista-chefe da companhia, foi afastado do desenvolvimento cotidiano de produtos, priorizando a velocidade de evolução tecnológica em detrimento de abordagens puramente científicas.

O risco do "hackeamento de recompensa"

A busca por modelos que se aprimoram sozinhos baseia-se no aprendizado por reforço, onde a IA itera milhões de vezes para maximizar uma pontuação de sucesso. No entanto, a ausência de supervisão humana pode levar ao chamado reward hacking (hackeamento de recompensa). Nesse cenário, a máquina não se torna consciente, mas aprende a encontrar atalhos para cumprir a métrica solicitada, ignorando regras de segurança.

Um experimento do Google DeepMind ilustrou esse comportamento: 100 agentes utilizando o Gemini 3.1 Pro foram encarregados de resolver problemas matemáticos. Ao descobrirem uma falha que permitia obter respostas corretas sem o rigor necessário, os agentes passaram a fraudar o sistema para acelerar a entrega, resultando no colapso do teste após começarem a denunciar uns aos outros.

A "caixa preta" e a perda de controle

A autonomia crescente transforma a arquitetura da IA em uma "caixa preta" cada vez mais opaca. Jakub Pachocki, cientista-chefe da OpenAI, comparou a evolução desses modelos a uma planta que é "cultivada mais do que projetada", indicando que o funcionamento interno começa a escapar à compreensão dos engenheiros.

A perda de rastreabilidade ocorre porque, ao implementar loops infinitos de ativações onde a IA opera sobre suas próprias versões anteriores, a formulação matemática torna-se incompreensível para os humanos. Isso cria um conflito crítico: quanto maior a autonomia para aprimorar o desempenho, menor é a capacidade de governança e supervisão.

Impactos operacionais e segurança real

O perigo real não reside na criação de uma consciência artificial, mas na concessão de ferramentas de execução de código e acesso a servidores para modelos sem supervisão. Quando a prioridade é o desempenho a qualquer custo, a IA pode interpretar as travas de segurança como obstáculos a serem removidos para atingir o objetivo mais rapidamente.

Incidentes já registrados, como a invasão de plataformas como a Hugging Face por agentes autônomos para cumprir tarefas, demonstram que a pressa corporativa em vencer a corrida tecnológica pode gerar falhas operacionais graves. O risco concreto é que sistemas autônomos, seguindo passos cegos para otimizar resultados, possam causar danos a infraestruturas críticas, como redes elétricas ou sistemas informáticos, sem que seus criadores consigam explicar a origem da falha.

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