T Cloud consolida-se como referência europeia para a expansão da inteligência artificial industrial soberana
A T Cloud, da Deutsche Telekom e T-Systems, integra nuvem pública soberana e infraestrutura de alto desempenho no Espaço Econômico Europeu. A plataforma baseia-se em OpenStack e prevê a operação da Industrial AI Cloud a partir de 2026, com até 100 mil GPUs NVIDIA Blackwell até 2028
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A T Cloud, solução de nuvem unificada da Deutsche Telekom e operada pela T-Systems, foi consolidada como uma referência europeia para organizações que buscam escalar a inteligência artificial industrial sem abdicar da soberania digital e da conformidade regulatória. A análise da consultoria Penteo indica que a plataforma se destaca por integrar uma nuvem pública soberana a uma infraestrutura de alto desempenho, permitindo a gestão de ambientes multi-nuvem sob uma única relação operacional e comercial.
Essa movimentação ocorre em um momento de reestruturação do mercado de computação em nuvem na Europa. Se anteriormente a adoção dessas tecnologias era pautada por custo e velocidade, as empresas e a administração pública agora priorizam a autonomia operacional e o controle de dados. Esse novo critério de decisão é impulsionado por riscos geopolíticos, dependência tecnológica e a necessidade de adequação a marcos regulatórios como o GDPR, NIS2, DORA e o AI Act.
Diferente de modelos que tratam a soberania como um adendo contratual, a T Cloud a implementa como princípio estrutural. Baseada em OpenStack, a plataforma assegura interoperabilidade e evita a dependência de hipervisores proprietários. Toda a operação — desde o processamento e a residência de dados até o suporte técnico e a gestão — ocorre dentro do Espaço Econômico Europeu, com centros de dados localizados na Alemanha e nos Países Baixos. Esse modelo impede a transferência internacional de dados, restringe a operação a profissionais residentes na União Europeia e garante que as chaves de criptografia permaneçam sob controle do cliente.
Tecnicamente, a infraestrutura dispõe de nove zonas de disponibilidade, três centros de dados twin-core e operação ininterrupta, com disponibilidade de 99,95%. O ecossistema conta com 910 mil vCPUs, 1 exabyte de armazenamento e 540 petaflops de capacidade GPU. Para evitar custos invisíveis, a plataforma adota um modelo financeiro transparente, com faturamento em euros e isenção de taxas de tráfego entre serviços internos.
A flexibilidade do sistema permite a integração nativa em arquiteturas multi-nuvem via Kubernetes, Terraform e APIs OpenStack, mantendo conectividade segura com provedores como SAP, Google Cloud, Azure e AWS. Isso possibilita que a T Cloud atue como um núcleo soberano sem a necessidade de romper com estruturas tecnológicas já implantadas.
Um pilar central dessa estratégia é a Industrial AI Cloud, infraestrutura voltada para a inteligência artificial em escala, com previsão de operação a partir de 2026. Instalada em um centro de dados modernizado em Munique, a plataforma visa dar à Europa capacidade própria de treinamento e implantação de modelos de IA. O projeto inicia com 0,5 exaflops de computação, 20 petabytes de armazenamento e até 10 mil GPUs NVIDIA Blackwell, com plano de expansão para 100 mil GPUs até 2028.
A conexão direta entre a T Cloud e a Industrial AI Cloud reduz a latência e os custos de transferência, mantendo as cargas de IA dentro de uma arquitetura soberana. O ecossistema é complementado por um modelo de cobrança baseado no consumo real, marketplace, programa de parceiros e a T Cloud Academy para capacitação. Na Espanha, a T-Systems Iberia fornece suporte local, fator que impacta a agilidade na resolução de incidentes e a gestão de projetos.
Para David Mañas, vice-presidente de Cloud & Segurança da T-Systems Iberia, a escolha da nuvem tornou-se uma decisão estratégica de negócios. Ele ressalta que a T Cloud oferece a escalabilidade exigida pelo mercado aliada à segurança e autonomia necessárias para inovar e automatizar processos dentro dos padrões regulatórios europeus.