União Europeia investe 20 bilhões de euros para reduzir a dependência tecnológica de Estados Unidos e China
A União Europeia investirá 20 bilhões de euros para atrair capital privado em computação, com a criação de cinco gigafábricas e 19 fábricas de IA. A estratégia foca em modelos industriais especializados e infraestruturas digitais próprias para reduzir a dependência tecnológica de Estados Unidos e China
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A União Europeia busca reduzir a dependência tecnológica dos Estados Unidos e da China ao priorizar a inteligência artificial (IA) com foco industrial. A estratégia baseia-se no desenvolvimento de modelos especializados, infraestruturas digitais resilientes e no uso de dados próprios para ampliar a competitividade do continente.
O "Plano de Ação para a Inteligência Artificial", da Comissão Europeia, prevê a mobilização de 20 bilhões de euros para atrair investimentos privados em computação, além da criação de cinco gigafábricas e ao menos 19 fábricas de IA. Para viabilizar o treinamento de modelos avançados, Bruxelas propõe a implementação de laboratórios de dados dentro dessas fábricas, focando em setores como energia, saúde, mobilidade, serviços públicos e indústria.
Nesse cenário, o Barcelona Supercomputing Center (BSC) opera a "IA Factory", estrutura voltada a acelerar a inovação em setores econômicos críticos. O centro oferece serviços de inovação, formação e computação avançada para instituições públicas, corporações, startups e pequenas e médias empresas.
A viabilidade desse ecossistema depende da conectividade. A Connect Europe destaca que a nuvem soberana e a IA exigem infraestruturas de telecomunicações robustas, escaláveis e soberanas. Alinhado a isso, o presidente da Telefónica, Marc Murtra, defende que a autonomia estratégica consiste na capacidade de controlar competências críticas em semicondutores, energia e infraestruturas digitais, utilizando a tecnologia própria para preservar os valores europeus.
Um exemplo prático dessa integração é o EURO-3C, iniciativa da Comissão Europeia e de um consórcio liderado pela Telefónica. O projeto adota um modelo federado, aberto e seguro para unir capacidades de nuvem, edge, IA e telecomunicações. Renate Nikolay, diretora-geral adjunta da Comissão Europeia, reforça a importância de infraestruturas de comunicação digital produzidas na Europa para integrar essas tecnologias.
No setor de desenvolvimento, a Mistral AI defende a necessidade de controle sobre a infraestrutura, os dados e os modelos. O CEO da empresa, Arthur Mensch, argumenta que a adoção de sistemas de dados e modelos abertos, somada à capacidade de treinamento própria, é a única forma de evitar a dependência de fornecedores fechados.
A aposta na IA industrial permite que a Europa utilize suas vantagens competitivas, como a liderança em setores produtivos, a posse de dados industriais de qualidade e a gestão de infraestruturas críticas, implementando aplicações especializadas sob a regulação do continente.