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União Europeia planeja deter um terço do mercado global de robótica inteligente até 2036

07 de Setembro de 2026 às 06:21 3 min de leitura

A União Europeia planeja deter um terço do mercado mundial de robótica inteligente até 2036, visando tornar o continente um centro de fabricação de robôs humanoides. O bloco busca equiparar a relevância do setor à da indústria automobilística, enfrentando desafios para converter pesquisas em produtos comerciais

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União Europeia planeja deter um terço do mercado global de robótica inteligente até 2036
PAL - Jean-Baptiste Mouret

A União Europeia traçou a meta de deter um terço do mercado global de robótica inteligente até 2036, buscando transformar o continente não apenas em um polo de pesquisa, mas em um centro de fabricação de robôs humanoides. A estratégia visa elevar a importância do setor ao nível atual da indústria automobilística europeia, conforme destacado por Alin Albu-Schaeffer, coordenador da rede euROBin.

Essas máquinas, conhecidas como robôs físicos, são consideradas o motor de uma nova revolução industrial. A vantagem competitiva reside na capacidade de operar em ambientes já projetados para seres humanos — como aeroportos, hospitais e fábricas — eliminando a necessidade de reformas estruturais. A integração com a inteligência artificial permite que esses dispositivos possuam aprendizado, percepção e simulação de emoções.

Aplicações práticas e demandas de mercado

A adoção massiva dessa tecnologia é impulsionada por crises de mão de obra e riscos operacionais. Em cenários de conflito, no espaço ou em áreas remotas, a aplicação de cirurgiões robóticos torna-se viável. Já em países como China e Japão, o envelhecimento populacional acelera a demanda por máquinas para tarefas perigosas, como o transporte de bagagens e a manutenção de redes de alta tensão. Para ilustrar a escala do mercado, projeções do Morgan Stanley indicam que a China poderá demandar 446 mil unidades anuais até 2030.

Durante evento promovido pelo Parlamento Europeu em Bruxelas, diversas inovações foram apresentadas:

  • Assistência Doméstica: Robôs desenvolvidos pelo INRIA (França) e pelo Centro Aeroespacial Alemão (DLR) realizaram a limpeza de uma mesa de café, organizando armários e carregando a máquina de lavar louças. A baixa velocidade da operação foi justificada por Serena Ivaldi, do INRIA, como uma prioridade de precisão para garantir a segurança em espaços compartilhados com pessoas.
  • Logística e Mobilidade: O instituto italiano IIT apresentou o KYON, um robô quadrúpede capaz de transportar e entregar pacotes. Já a ETH Zúrich demonstrou o Transformer, que alterna entre as posturas quadrúpede e bípede, além de transitar por escadas.
  • Sustentabilidade: A agência francesa CEA exibiu um braço robótico multiarticulado focado na desmontagem de baterias elétricas para fins de reaproveitamento.

O gargalo entre a ciência e a indústria

Apesar do avanço técnico, a Europa enfrenta dificuldades para converter a pesquisa em produtos comerciais. O pesquisador português Pedro Lima aponta que, embora a ciência europeia tenha fundamentado sucessos nos Estados Unidos e na China, faltam financiamento e vontade política para a escala industrial. O eurodeputado Axel Voss reforça que a lentidão em transformar invenções em empresas globais compromete a soberania tecnológica do bloco, enquanto o capital migra para concorrentes mais ágeis.

A disparidade financeira é evidente nos custos de produção. O Transformer, da ETH Zúrich, foi construído em cinco meses com componentes suíços, resultando em um custo comparável ao de um carro Ferrari. Em contrapartida, modelos chineses da Unitree são comercializados por menos de 10 mil euros.

Essa diferença de preços gera questionamentos sobre a viabilidade econômica dos modelos asiáticos. Luca Marchionni, diretor técnico da Pal — empresa espanhola que produz o robô de pesquisa Kangaroo por 100 mil euros —, expressou dúvidas sobre a lucratividade dos robôs chineses e acredita que a chegada de humanoides de uso geral, como o Optimus de Elon Musk, levará mais tempo do que o previsto.

A volatilidade do setor também reflete a incerteza dos investidores. A Unitree, após estrear na bolsa de Shangai com uma alta de 629%, já perdeu metade desse valor desde agosto.

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