União Europeia planeja investir 200 bilhões de euros em infraestrutura para expandir a inteligência artificial
A Comissão Europeia planeja implantar 10.000 nós edge até 2030 e mobilizar 200 bilhões de euros via programa InvestAI para fortalecer a infraestrutura digital. A estratégia de Soberania Tecnológica visa reduzir a dependência externa em semicondutores e centros de dados. A Telefónica já implementou 17 nós edge na Espanha para processamento de dados
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O desenvolvimento da inteligência artificial está provocando uma mudança de eixo no setor tecnológico, transferindo a prioridade dos algoritmos para as infraestruturas digitais. A expansão dessa tecnologia agora depende de uma integração rigorosa entre capacidade de computação, centros de dados, conectividade avançada e o processamento distribuído de informações.
Estratégia de infraestrutura da União Europeia
Para sustentar a próxima geração de serviços digitais, a Comissão Europeia definiu a combinação de cloud e edge computing como pilar de sua estratégia. O objetivo é a implantação de 10.000 nós edge altamente seguros em território europeu até 2030, incentivando a adoção de tecnologias cloud-edge pelas empresas do bloco.
Essa movimentação integra o pacote de Soberania Tecnológica de Bruxelas, que visa reduzir a dependência de fornecedores externos e elevar a competitividade do continente ao fortalecer a base de semicondutores, centros de dados e redes de nuvem.
Investimentos e a criação de "Fábricas de IA"
Para viabilizar a capacidade de cálculo necessária ao treinamento de modelos avançados e aplicações econômicas estratégicas, foi criado o InvestAI. O programa europeu busca mobilizar até 200 bilhões de euros em investimentos, prevendo a implementação de fábricas de IA dedicadas ao processamento de alta performance.
A iniciativa reconhece que a IA não se limita à geração de conteúdo ou automação, mas exige sistemas capazes de mover, armazenar e proteger volumes massivos de dados com resiliência e segurança. Essa base é fundamental para setores onde a latência é crítica, como:
- Infraestruturas críticas;
- Ambientes de saúde;
- Sistemas de manutenção preditiva;
- Aplicações industriais.
Digitalização industrial e processamento distribuído
A demanda por processamento próximo à origem dos dados — a chamada computação de borda — tornou-se essencial para a digitalização industrial. A redução do tempo de resposta é o fator determinante para a eficiência de tecnologias como gêmeos digitais, controle de qualidade em tempo real, automação de processos e análise avançada de dados em fábricas e centros logísticos.
Nesse cenário, a iniciativa EuroStack defende a criação de uma cadeia tecnológica própria na Europa, que integre desde as redes de conectividade até as plataformas digitais, argumentando que a escala da IA depende diretamente de infraestruturas estratégicas.
Expansão do setor de telecomunicações
Empresas de tecnologia e telecomunicações já adaptam suas operações para atender a essa demanda por soberania digital. A Telefónica, por exemplo, integrou cibersegurança, conectividade e edge computing ao seu núcleo de desenvolvimento. Como resultado prático, a companhia finalizou a implementação de uma rede de 17 nós edge na Espanha, aproximando o armazenamento e o processamento de dados de administrações públicas e empresas.