Tecnologia

Unitree lidera mercado de robôs bípedes com base em pesquisas financiadas pelos Estados Unidos

19 de Agosto de 2026 às 09:11

A Unitree lidera o mercado de robôs bípedes e humanoides ao utilizar pesquisas financiadas pelos Estados Unidos para escalar a produção industrial. A empresa chinesa vendeu mais de 18 mil bípedes e 5.500 humanoides no último ano, apesar de restrições impostas pelo Pentágono e pela FCC

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Unitree lidera mercado de robôs bípedes com base em pesquisas financiadas pelos Estados Unidos
Unitree

A ascensão da Unitree ao posto de líder global no mercado de robôs bípedes e humanoides fundamentou-se na apropriação de pesquisas desenvolvidas com financiamento militar dos Estados Unidos. O design do modelo Go2, lançado em 2023, baseia-se em avanços do Laboratório de Pesquisa do Exército dos EUA (ARL) e da DARPA, que entre 2010 e 2020 custearam a Aliança de Tecnologia Colaborativa em Robótica (RCTA).

Esse consórcio reuniu instituições como o MIT, a Universidade de Pensilvânia, a Boston Dynamics, a General Dynamics Land Systems e o Laboratório de Propulsão a Jato da NASA. Na prática, a estrutura da série Go da Unitree reproduz quase milimetricamente as dimensões do Mini Cheetah, robô desenvolvido no Laboratório de Robótica Biomimética do MIT.

A transição da pesquisa para a escala industrial

A viabilidade técnica dos robôs da Unitree foi acelerada por publicações científicas abertas, prática comum no meio acadêmico. Em 2016, pesquisadores da Universidade de Pensilvânia otimizaram a resposta em terrenos irregulares ao transferir os motores para as patas, eliminando engrenagens centrais pesadas. Posteriormente, o MIT detalhou os atuadores do Mini Cheetah em tese acadêmica; em menos de seis meses, versões chinesas desses componentes já estavam disponíveis para venda no AliExpress.

Fundada em 2016 por Wang Xingxing, a Unitree utilizou essas referências pioneiras para desenvolver a engenharia de produção em massa. Embora a empresa tenha replicado a forma e a estrutura de projetos americanos, o mérito da implementação prática e da fabricação em escala pertence à companhia chinesa.

Uso militar e contradições geopolíticas

Apesar de ter assinado uma carta aberta em 2022 comprometendo-se a não armar seus dispositivos por questões éticas, a Unitree teve modelos exibidos ao lado de tropas do Exército Popular de Libertação da China, incluindo uma versão da série B1 equipada com fuzil de assalto.

Paralelamente, a dependência dos EUA em relação a essa tecnologia gerou situações paradoxais:

  • Em setembro de 2023, o Exército dos EUA solicitou isenção federal para adquirir duas unidades do Go2 devido à ausência de alternativas nacionais equivalentes.
  • No mesmo período, marinheiros americanos adaptaram um modelo Go1 para o disparo remoto de lança-granadas.

Domínio de mercado e barreiras comerciais

A capacidade de fabricação da China superou a dos Estados Unidos, onde nem mesmo a Tesla conseguiu tirar o humanoide Optimus da fase de protótipo. No último ano, a Unitree comercializou mais de 18 mil robôs bípedes e 5.500 humanoides.

Enquanto empresas americanas como a Boston Dynamics detêm a vantagem na inovação, elas enfrentam carência de capital e infraestrutura industrial para escalar a produção. Esse cenário levou o Pentágono a incluir a Unitree, em junho, na lista de empresas vinculadas ao aparato militar chinês, restringindo o uso de sua tecnologia pelas forças armadas dos EUA. Em julho, a FCC proibiu a importação de novos modelos de robôs bípedes e humanoides estrangeiros, medida que gerou ameaças de represálias por parte da China.

Estratégias de sobrevivência e alianças

A competição atual é vista não apenas como uma disputa entre empresas, mas como um embate entre o setor privado americano e a estratégia nacional coordenada da China. Para mitigar a dependência de insumos chineses, a Ghost Robotics transferiu seu fornecimento de motores para a Coreia do Sul.

A empresa foi adquirida em 2024 pela LIG Defense & Aerospace, da Coreia do Sul, em uma transação de 240 milhões de dólares por 60% do negócio, com planos de expandir a produção para a Tailândia e fortalecer a cooperação com aliados estratégicos.

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