Tecnologia

Vaticano certifica que obra do Papa Leão XIV foi produzida integralmente por um ser humano

20 de Agosto de 2026 às 18:09

O Vaticano contratou a empresa Proudly Human para certificar que a obra Maps of Hope, do Papa Leão XIV, foi escrita integralmente por um ser humano. A validação, feita com a Universidade Católica Australiana, utilizou análise de padrões gramaticais e algoritmos para atestar a ausência de inteligência artificial

-0:00
Vaticano certifica que obra do Papa Leão XIV foi produzida integralmente por um ser humano
Europa Press/Vatican Media

O Vaticano utilizou a empresa australiana Proudly Human para certificar que a obra Maps of Hope, uma coletânea de discursos e escritos do Papa Leão XIV, foi produzida integralmente por um ser humano. A iniciativa ocorre em um contexto de alerta do pontífice sobre os perigos da inteligência artificial, expressos na encíclica Magnifica Humanitas, publicada em maio, na mesma semana que a coletânea. No documento, o Papa defendeu que a tecnologia seja acessível, debatida e que não domine a humanidade.

Processo de certificação e critérios técnicos

A validação dos textos, realizada com a colaboração da Universidade Católica Australiana, envolveu a análise de múltiplas camadas técnicas e documentais. Para obter o selo de autenticidade, a Proudly Human exige que os autores ou seus representantes passem por uma verificação de identidade e assinem uma declaração formal sobre a criação do conteúdo.

As regras da certificadora são rígidas quanto ao uso de ferramentas automatizadas: a IA não pode ser empregada para redigir o primeiro rascunho nem para gerar parágrafos ou frases completas. A análise técnica consiste em:

  • Submissão do material a ferramentas que estudam padrões gramaticais e estilo;
  • Aplicação de um algoritmo de média próprio da empresa;
  • Uso de um conjunto de quatro a cinco ferramentas testadas diariamente para garantir a precisão dos resultados.

Após a aplicação desses critérios, o conteúdo de Maps of Hope foi classificado como puramente humano.

Transparência e direitos do consumidor

Alan Finkel, ex-chefe científico da Austrália e líder da Proudly Human, afirma que a comprovação da origem humana de uma obra é um direito fundamental, especialmente quando se trata de autoridades religiosas. O selo de certificação pode ser revogado caso a empresa identifique atribuições enganosas ou descumprimento dos padrões estabelecidos.

Zlato Skrbis, vice-reitor e presidente da Universidade Católica Australiana, reforçou a importância de atestar que a obra é fruto de reflexão e critério humanos, dada a rápida expansão de conteúdos gerados por algoritmos. Para Finkel, esse mecanismo oferece a transparência necessária enquanto não existe uma regulamentação obrigatória para a declaração do uso de IA.

Notícias Relacionadas