Vídeo manipulado por inteligência artificial usa imagem de Drauzio Varella para promover tratamento falso
Vídeo falso criado com deepfake utiliza a imagem de Drauzio Varella no TikTok para divulgar tratamento natural contra disfunção erétil. Ferramentas de detecção confirmaram a manipulação do áudio e da face do médico. O conteúdo original tratava do desenvolvimento de medicamentos
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Um vídeo manipulado por inteligência artificial circula nas redes sociais utilizando a imagem do médico e escritor Drauzio Varella para promover um suposto tratamento natural contra a disfunção erétil. O conteúdo, publicado no TikTok em 26 de julho, é falso e utiliza a técnica de deepfake para enganar os usuários.
A estrutura da fraude
A gravação, com aproximadamente quatro minutos, inicia-se simulando o ambiente do programa Roda Viva, da TV Cultura, em uma cena onde um homem agride o médico com um tapa no rosto. Na sequência, a versão adulterada de Varella afirma que a indústria farmacêutica tentaria omitir as informações que ele estava compartilhando.
No material, o médico fake alega ter desenvolvido um método 100% natural, sem causar dependência ou danos à saúde, que atuaria na origem do problema. O vídeo menciona que mais de 3 mil homens já teriam passado pelo tratamento e orienta os interessados a agendarem consultas via WhatsApp, por meio de um link disponível na bio do perfil divulgador.
Manipulação de conteúdo e detecção
A fraude foi construída a partir da distorção de uma fala original de Drauzio Varella. No vídeo real, o médico explicava as etapas de desenvolvimento de medicamentos — desde estudos laboratoriais e testes em animais até a fase final de comparação com tratamentos convencionais em seres humanos — sem qualquer menção a problemas de ereção.
Para comprovar a falsidade do material, o conteúdo foi submetido a três ferramentas de detecção de IA, que confirmaram a manipulação:
- HiveModeration: indicou 99,1% de probabilidade de manipulação no áudio.
- Hiya/Invid: apontou 98% de chances de o áudio ter sido gerado por IA.
- Detector Mever/Invid: registrou 98% de probabilidade de o vídeo ser um deepfake, com evidências sólidas de manipulação facial.
A técnica de deepfake permite a substituição de rostos em cenas e a alteração de falas, criando simulações realistas de pessoas reais para a propagação de informações falsas.