Geral

Autores indígenas são destaque em exposição temporária em SP

Mostra fica aberta até 9 de abril, no Instituto Moreira Salles

A ocupação dos indígenas no meio literário tem aumentado nos últimos anos e pode ser visitada pelo público no novo espaço de convivência do Instituto Moreira Salles (IMS), ligado à exposição “Xingu: contatos”, que continua até o dia 9 de abril, na sede do instituto, na Avenida Paulista.

Com um trabalho de 21 anos de implantação e manutenção de bibliotecas em comunidades tradicionais da Amazônia Legal, a Associação Vaga Lume colocou parte do acervo indígena criado nessas duas décadas à disposição do público na exposição. São 219 títulos, apresentados em três categorias. O Acervo infanto-juvenil, com 127 títulos; o Acervo bibliográfico e informativos, com 71 títulos; e o Acervo fotolivros, com 21 títulos.

As obras literárias são, na maioria, infantis e juvenis. Destacam-se os autores indígenas Daniel Munduruku, Cristino Wapichana, Yaguarê Yamã, Eliane Potiguara, Olívio Jekupé e Marcia Kambeba. Entre os nomes do acervo bibliográfico e fotolivros estão Julie Dorrico, Kaká Werá, Ailton Krenak e Edson Kayapó. Há também diversos autores e ilustradores indigenistas relevantes no meio como Mauricio Negro, Leonardo Boff, Bettty Mindlin e Claudia Andujar.

Ambiente de acolhimento

Parceria entre o IMS e a Vaga Lume, o espaço de convivência no 9º andar do IMS, conta com pufes e tapetes espalhados pelo chão, um ambiente de acolhimento para que adultos e crianças possam conhecer um pouco mais sobre as culturas dos povos originários.

Além da biblioteca, o local conta também com curtas-metragens projetados em uma tela e um mural composto por ilustrações e palavras em kuikuro (língua do grupo indígena que habita as aldeias Ipatse, Akuhugi e Lahatuá, no sul do Parque Indígena do Xingu - MT). Há mediadores disponíveis para conversar com o público e incentivar a fruição, leitura e interação, entre eles três indígenas - dois deles falantes de sua língua originária.

Exposição

Em cartaz desde novembro de 2022, a mostra revisita a trajetória de lutas e resistências do Xingu, primeiro grande território indígena demarcado no Brasil, em 1961. Exibida no 7º e no 8º andar do centro cultural, a exposição apresenta múltiplas narrativas e olhares em torno do território, tendo como destaque a produção audiovisual indígena contemporânea, que tem no Xingu um de seus principais pólos.

O conjunto inclui seis curtas-metragens, feitos especialmente para a exposição, de autoria de Divino Tserewahú, Kamatxi Ikpeng, Kamikia Kisêdjê, Kujãesage Kaiabi, Piratá Waurá e do Coletivo Kuikuro de Cinema.

A mostra traz ainda um trabalho inédito do artista Denilson Baniwa, fotografias produzidas pelos comunicadores indígenas da Rede Xingu +, e um mural, com grafismos alto-xinguanos, criado pelo artista Wally Amaru na empena de um prédio na rua da Consolação. Em diálogo, são exibidos imagens, reportagens e outros documentos produzidos no Xingu por não indígenas desde o final do Século 19.

Por Agência Brasil - São Paulo / Edição: Nélio Neves de Andrade - 12/02/2023 13:35:09. Última edição: 12/02/2023 13:35:09

Tags: Autores Indígenas Exposição Instituto Moreira Salles

Leia também:

Pequena vila na região do Paredão é rota de fuga de garimpeiros em RR

Pequena vila na região do Paredão é rota de fuga de garimpeiros em RR

O povoado, conhecido como Vila Reislândia, é ponto de chegada e saída entre o rio Uraricoera e Boa Vista. Uma viagem de barco até o local pode custar entre dois e cinco gramas de ouro.

Militares trabalham durante a noite para reformar pista em TI Yanomami

Militares trabalham durante a noite para reformar pista em TI Yanomami

Aeródromo de Surucucu é a principal rota de acesso aéreo ao território. Serão recuperados os 1.100 metros de extensão da pista. Um dos objetivos é permitir pouso de aeronaves de carga.

Brasília recebe a maior feira de arte indígena já realizada no país

Brasília recebe a maior feira de arte indígena já realizada no país

Exposição, que faz parte do Festival Brasil é Terra Indígena, mostra potencial de produção sustentável no centro da capital federal.

Uso de imagem do Bondinho Pão de Açúcar gera polêmica nas redes

Uso de imagem do Bondinho Pão de Açúcar gera polêmica nas redes

Em nota, a empresa que administra o Bondinho diz que não restringe o uso das imagens e que o propósito da notificação enviada ao ITS foi apenas esclarecer as regras para isso.

Este site usa cookies para fornecer serviços e analisar o tráfego. Saiba mais. Ok, entendi