Ciência

Asteroide Ryugu contém todos os componentes essenciais do DNA e RNA, segundo estudo publicado na Nature Astronomy

19 de Março de 2026 às 18:20

Um estudo publicado na revista Nature Astronomy revelou que o asteroide Ryugu contém os componentes essenciais para DNA e RNA. As análises das amostras coletadas pela sonda japonesa Hayabusa2 em 2019 mostram a presença de purinas, pirimidinas e outras moléculas orgânicas. Os resultados sugerem que asteroides podem ter transportado as moléculas-chave para a vida no espaço

Asteroide Ryugu contém todos os componentes essenciais do DNA e RNA, segundo estudo publicado na Nature Astronomy
JAXA / JAMSTEC

Um estudo recente publicado na revista Nature Astronomy traz novas informações sobre as amostras coletadas pela sonda japonesa Hayabusa2 do asteroide Ryugu. As análises desses materiais, realizadas sete anos após a sua coleta em 2019, revelaram que o Ryugu contém todos os componentes essenciais do DNA e RNA.

Essa descoberta não significa necessariamente que houvesse vida no asteroide, mas reforça a ideia de que os menores corpos do Sistema Solar atuaram como transportadores das moléculas-chave para a vida. A presença desses componentes em outros asteroides e meteoritos semelhantes também sugere sua formação natural sob certas condições químicas no espaço.

A equipe de pesquisadores ressaltou que as amostras do Ryugu não estão contaminadas, pois foram coletadas diretamente pelo espaço e processadas em laboratórios ultralimpias. Além disso, os autores afirmam ter detectado proporções quase iguais de purinas (adenina e guanina) e pirimidinas (citosina, timina e uracilo), um padrão diferente ao encontrado em outros meteoritos.

Essa relação entre purinas e pirimidinas pode ser considerada uma "impressão digital química" das condições em que essas moléculas se formaram no asteroide. A equipe sugere que a disponibilidade de amoníaco foi um fator crucial para a formação desses compostos semelhantes.

Além disso, os pesquisadores detectaram outras moléculas orgânicas em amostras do Ryugu, como nicotinato (vitamina B3), ureia e aminoácidos. As concentrações de bases nucleicas variam entre as subamostras coletadas no asteroide.

A hipótese de que a Terra recebeu uma chuva contínua de moléculas prebióticas do espaço se torna mais sólida com esses achados, sugerindo que o planeta não teve que começar do zero para criar as primeiras biomoléculas. No entanto, os autores enfatizam que isso não significa necessariamente a origem da vida ocorreu no espaço.

Essa pesquisa abre caminho para entender melhor como as moléculas-chave se formaram em diferentes locais do universo e pode mudar nossa compreensão sobre a singularidade da vida na Terra.

Com informações de El Confidencial

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