Ciência

Auroras e chuva de meteoros podem ser visualizadas simultaneamente neste fim de semana

18 de Abril de 2026 às 19:45

Um buraco coronal identificado pelo satélite GOES-19 enviará partículas à Terra entre os dias 17 e 18. O alerta da NOAA indica tempestade geomagnética G2, com previsão de G3 pelo Met Office. O fenômeno possibilita a visualização de auroras no Hemisfério Norte e instabilidades em GPS e redes elétricas

O satélite GOES-19, operado pela NOAA, detectou nesta semana a formação de um buraco coronal massivo no setor nordeste do Sol. Devido à rotação da estrela, a estrutura migrou para uma posição geoefetiva, ficando voltada diretamente para a Terra. Esse alinhamento permite que um fluxo de partículas carregadas, deslocando-se a aproximadamente 700 quilômetros por segundo, atinja a magnetosfera terrestre entre sexta-feira (17) e sábado (18).

Essas aberturas na atmosfera externa solar ocorrem quando as linhas do campo magnético se projetam para fora, liberando jatos de partículas com velocidade superior ao vento solar convencional. A intensidade do impacto atual será amplificada por uma região de interação corrotativa, fenômeno que acontece quando correntes velozes de vento solar alcançam fluxos mais lentos, gerando uma faixa de compressão no meio interplanetário. Esse mecanismo pode prolongar a instabilidade do campo magnético terrestre por diversas horas ao longo do fim de semana.

A NOAA classificou o evento como significativo e emitiu um alerta de tempestade geomagnética moderada, nível G2. Paralelamente, o Met Office britânico avalia que a atividade pode escalar para o nível G3, considerado forte, caso o fluxo de partículas ganhe força. No patamar G2, a expectativa é de degradação em sinais de GPS e oscilações em redes de energia localizadas em altas latitudes. Se o evento atingir o nível G3, as interferências podem se expandir para sistemas de navegação e comunicação em faixas geográficas mais amplas.

A interação entre o vento solar e a magnetosfera — que atua como escudo, mas sofre deformações em eventos intensos — resulta na formação de auroras. O fenômeno ocorre quando partículas penetram o campo magnético e colidem com moléculas de nitrogênio e oxigênio na alta atmosfera, liberando luz em tons de verde, roxo e vermelho. Como tempestades acima do nível G1 permitem que as auroras sejam vistas em latitudes mais distantes dos polos, o Met Office projeta que o espetáculo alcance regiões raras do Hemisfério Norte. Para a observação, recomenda-se a busca por locais com céu limpo, horizonte desobstruído e longe da poluição luminosa urbana, com o auxílio dos mapas de oval auroral fornecidos pela NOAA.

O cenário astronômico do fim de semana inclui ainda a chuva de meteoros Líridas, com atividade registrada entre 16 e 25 de abril e pico previsto para a madrugada de quarta-feira (22). Diferente das auroras, os meteoros, que irradiam da constelação de Lira, não dependem de condições magnéticas para serem visualizados. A coincidência temporal entre o impacto do vento solar e a passagem dos detritos cósmicos cria a possibilidade rara de observação simultânea de ambos os fenômenos.

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