Observatório Vera Rubin inicia operações no Chile para buscar possível nono planeta do Sistema Solar
O Observatório Vera Rubin iniciou operações no Chile em junho de 2025 para monitorar o céu do hemisfério sul. O objetivo principal é verificar a existência de um nono planeta no Sistema Solar, com massa dez vezes superior à da Terra. A confirmação ou descarte da hipótese deve ocorrer em até dois anos
O Observatório Vera Rubin, instalado no norte do Chile, iniciou suas operações em junho de 2025 com a capacidade de monitorar todo o céu do hemisfério sul a cada poucas noites. O equipamento, que utiliza a maior câmera digital já fabricada para a astronomia, possui sensibilidade para detectar objetos de luminosidade extremamente baixa, permitindo a identificação de corpos celestes que refletem frações mínimas de luz solar, superando a limitação de telescópios convencionais em distinguir tais sinais do ruído espacial.
O principal objetivo da missão é resolver a disputa sobre a existência de um nono planeta no Sistema Solar. A hipótese, defendida desde 2016 por Michael Brown e Konstantin Batygin, do Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech), sugere a presença de um corpo com massa aproximadamente dez vezes superior à da Terra. Este planeta hipotético estaria localizado em uma região remota, cerca de 20 vezes mais distante do Sol do que Netuno, o que resultaria em uma órbita elíptica e inclinada com um ciclo de aproximadamente 20 mil anos terrestres.
A base para essa teoria são as órbitas anômalas de seis objetos transnetunianos (TNOs) no Cinturão de Kuiper. Esses corpos gelados apresentam trajetórias alongadas e inclinadas que indicam a influência gravitacional de um vizinho massivo. Brown argumenta que, sem a existência desse planeta, não haveria explicação para tais eventos. O cenário remete à descoberta de Netuno em 1846, quando irregularidades na órbita de Urano permitiram a previsão matemática e a posterior localização do oitavo planeta por Johann Gottfried Galle.
Diferente do Telescópio Espacial James Webb, que foca em alvos específicos, o Vera Rubin realiza varreduras sistemáticas de vastas áreas do céu. Sarah Greenstreet, astrônoma do observatório, afirma que a ferramenta é capaz de localizar o planeta caso ele possua o tamanho e a posição previstos. A expectativa de Brown é que a confirmação ou a descartabilidade do corpo ocorra em um ou dois anos, dado que o observatório catalogará bilhões de objetos, incluindo mais de 40 mil novos TNOs, ao longo de uma década.
Contudo, a hipótese não é unânime. Críticos sugerem que a amostra de seis TNOs é pequena e pode apresentar vieses observacionais. A descoberta do objeto Ammonite em 2023, cuja órbita diverge do padrão dos TNOs originais, enfraqueceu a tese. Paralelamente, astrofísicos do Forschungszentrum Jülich, na Alemanha, propuseram em 2025 que a passagem de uma estrela massiva há bilhões de anos teria causado as perturbações gravitacionais observadas, tornando o nono planeta desnecessário. A professora Susanne Pfalzner, líder do estudo, considera a probabilidade de existência do planeta baixa, embora não a descarte.
Caso seja confirmado, o corpo seria o quinto maior planeta do sistema, situando-se entre a Terra e Netuno em massa. Malena Rice, da Universidade Yale, pontua que planetas com essas características são comuns em metade dos sistemas estelares estudados, tornando a ausência de um similar no Sistema Solar uma anomalia. Se a busca for infrutífera, a ciência será compelida a investigar novos fenômenos gravitacionais ou históricos sobre a formação do sistema planetário, explorando regiões externas ainda desconhecidas.