Ciência

Pesquisa identifica nova categoria de corpos celestes no Sistema Solar chamada de cometas escuros

17 de Abril de 2026 às 16:14

Publicado em dezembro de 2024 nos Proceedings of the National Academy of Sciences, estudo formalizou a classe dos cometas escuros. A investigação de Darryl Seligman catalogou sete novos corpos, somando 14 objetos com aceleração não gravitacional e aspecto de asteroides. A sonda Hayabusa2 realizará a análise do corpo 1998 KY26 em 2031

Um estudo publicado em dezembro de 2024 nos Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS) oficializou a existência de uma nova classe de objetos no Sistema Solar: os cometas escuros. A pesquisa, coordenada pelo astrofísico Darryl Seligman, da Michigan State University, identificou sete novos corpos com comportamento anômalo, elevando para 14 o total de objetos conhecidos com essas características.

Esses corpos representam uma categoria híbrida, pois desafiam as classificações astronômicas tradicionais. Visualmente, eles se assemelham a asteroides, sendo escuros e desprovidos de coma ou cauda. No entanto, suas trajetórias revelam a natureza de cometas. O fator determinante é a aceleração não gravitacional, fenômeno em que o objeto sofre mudanças de velocidade que não podem ser explicadas apenas pela atração gravitacional dos planetas.

A hipótese científica indica que esses objetos possuem gelo em seu interior e liberam gases, provavelmente água, de maneira extremamente sutil ao se aproximarem do Sol. Esse processo de sublimação gera um impulso que altera a órbita do corpo, mas, diferentemente dos cometas clássicos, não produz poeira suficiente para criar a cauda brilhante, tornando-os praticamente invisíveis aos métodos de observação convencionais.

A investigação revelou que os cometas escuros formam uma população significativa, dividida em dois grupos principais. O primeiro é composto por objetos maiores, localizados em regiões externas e com trajetórias alongadas, semelhantes aos cometas da família de Júpiter. O segundo grupo consiste em corpos menores situados no Sistema Solar interno, com órbitas quase circulares e proximidade com a órbita da Terra.

Essa população interna é central para a compreensão da história terrestre, pois orbita a região onde o planeta se formou. A possibilidade de que esses objetos pequenos e abundantes tenham sido os principais transportadores de água para a Terra primitiva é agora uma hipótese viável, dependendo da confirmação de que a composição isotópica de sua água seja semelhante à dos oceanos terrestres.

O reconhecimento desse fenômeno ganhou impulso após a passagem de ʻOumuamua em 2017, o primeiro objeto interestelar detectado no Sistema Solar, que apresentou aceleração não gravitacional sem sinais visuais, sugerindo a liberação de hidrogênio ou outros gases. Antes disso, em 2003, o objeto 2003 RM já havia manifestado comportamento similar.

Para validar essas teorias, a sonda Hayabusa2, da JAXA, iniciou uma missão estendida para estudar o corpo 1998 KY26, classificado como um candidato a cometa escuro interno. A previsão é que a sonda alcance o objeto por volta de 2031, permitindo a primeira observação direta da superfície, estrutura e composição de um corpo desse tipo.

A natureza discreta desses objetos sugere que muitos outros ainda não foram detectados, já que as buscas tradicionais priorizam a atividade visível. A existência de uma população invisível de cometas escuros altera o entendimento sobre a distribuição de matéria orgânica e água no Sistema Solar, além de impactar os modelos de formação planetária e evidenciar as limitações dos métodos atuais de observação astronômica.

Com informações de Click Petróleo e Gás

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