SpaceX coloca mais de mil satélites Starlink em órbita no decorrer de 2026
A SpaceX colocou 1.002 satélites Starlink em órbita em 2026, atingindo a marca nesta terça-feira (14) com a missão Starlink 10-24. A empresa realizou 37 lançamentos da rede de internet no ano, utilizando o foguete Falcon 9. Atualmente, a constelação possui 10.191 satélites operacionais
A SpaceX consolidou a transformação de lançamentos orbitais em uma operação de escala industrial ao atingir, nesta terça-feira (14), a marca de mil satélites Starlink colocados em órbita em 2026. O marco foi alcançado com a missão Starlink 10-24, que partiu da base de Cabo Canaveral, na Flórida, às 6h33 (horário de Brasília). O foguete Falcon 9 transportava 29 unidades de banda larga, elevando o total anual para 1.002 satélites em órbita baixa da Terra.
A velocidade da expansão é evidenciada pelo volume de envios nos primeiros cem dias do ano, resultando em uma média de oito satélites posicionados no espaço a cada 24 horas. Este ritmo é sustentado por uma cadência de quase dez missões mensais dedicadas exclusivamente à rede de internet, totalizando 37 lançamentos desse tipo em 2026, sem contar cargas científicas, governamentais ou comerciais.
A infraestrutura baseia-se no uso de satélites V2 Mini, que operam com baixa latência. Atualmente, a constelação Starlink conta com 10.191 satélites operacionais de um total de 10.209 em órbita, o que representa aproximadamente 65% de todos os satélites ativos no planeta. Esse domínio supera significativamente concorrentes como a OneWeb, do grupo Eutelsat, que possui cerca de 600 unidades, e o Projeto Kuiper, da Amazon, que ainda está em fases iniciais de implantação utilizando foguetes Atlas 5 da ULA. Programas governamentais da China também não acompanham a frequência mensal da SpaceX.
O pilar técnico dessa operação é o foguete Falcon 9, o veículo orbital mais lançado da história. Na missão recente, foi utilizado o propulsor B1080 em seu 26º voo, tendo participado anteriormente de missões de reabastecimento CRS-30 e dos voos tripulados Axiom 2 e Axiom 3. O primeiro estágio pousou com sucesso no navio-drone Just Read the Instructions, no Oceano Atlântico, cerca de oito minutos e meio após a decolagem. Este evento marcou a 598ª aterrissagem de um propulsor da empresa, sistema de reaproveitamento essencial para a viabilidade financeira da alta frequência de lançamentos.
Com mais de 10 milhões de assinantes em 150 países, a Starlink expandiu sua atuação comercial para navios de carga, cruzeiros e companhias aéreas, como Air Canada, Gulf Air e Southwest Airlines. Em fevereiro de 2026, a empresa obteve licença para operar no Vietnã, mercado com potencial para 600 mil terminais.
Contudo, o crescimento acelerado traz desafios de sustentabilidade orbital e questões éticas. Se mantido o ritmo, a empresa pode ultrapassar 3.500 satélites lançados até dezembro. Recentemente, nove satélites Starlink tiveram reentrada atmosférica prevista entre 14 e 16 de abril, com riscos de aproximação de detritos antigos. No campo regulatório e social, a SpaceX desativou 2.500 dispositivos em Mianmar após a detecção de uso por centros de fraude digital. Além disso, a instalação de um terminal na Casa Branca gerou debates sobre conflitos de interesse devido ao perfil político de Elon Musk.
A perspectiva de expansão futura aponta para a utilização do foguete Starship, que permitirá o envio de lotes maiores de satélites mais potentes. O objetivo a longo prazo é atingir 34.400 satélites na constelação, reconfigurando a infraestrutura global de telecomunicações.