China promove campanha para questionar custos e viabilidade do novo caça de sexta geração americano
A imprensa oficial chinesa questiona o projeto do caça F-47 dos Estados Unidos, com investimento previsto de US$ 5 bilhões para 2027. A estratégia foca em custos unitários acima de US$ 300 milhões, dados técnicos e dependência de terras raras. O primeiro voo da aeronave está programado para 2028
A China intensificou uma ofensiva coordenada por meio de sua imprensa oficial para desestabilizar a credibilidade do F-47, o caça de sexta geração dos Estados Unidos desenvolvido sob o programa NGAD. A movimentação ganhou força após a revelação de que o orçamento militar americano para 2027 prevê um investimento de US$ 5 bilhões no projeto.
De acordo com o China Aerospace Studies Institute, a estratégia de Pequim segue um roteiro sistemático: questionar as especificações técnicas, atacar os custos e colocar em dúvida a capacidade da indústria dos EUA de produzir a aeronave em escala. O objetivo é triplo, visando elevar a confiança interna na tecnologia chinesa, influenciar a percepção de aliados na Ásia e gerar incertezas nos centros de decisão política e de defesa em Washington.
Um dos eixos centrais da campanha foca no custo unitário, com analistas do governo chinês estimando que cada aeronave possa ultrapassar os US$ 300 milhões, o que tornaria o F-47 o caça mais caro da história. Essa linha de argumentação busca sugerir que o programa enfrentará restrições orçamentárias que comprometeriam a viabilidade operacional e o número de unidades encomendadas.
Paralelamente, a mídia estatal chinesa utiliza as dificuldades recentes da Boeing — como atrasos e estouros orçamentários no programa KC-46 — para sugerir que a empresa não teria competência para entregar um projeto de tamanha complexidade. Em contrapartida, as autoridades americanas ressaltam que o NGAD possui supervisão direta da Força Aérea, operando sob parâmetros de controle distintos dos projetos comerciais da companhia.
No campo técnico, Washington anunciou que o caça terá velocidade superior a Mach 2, alcance de combate acima de mil milhas náuticas e furtividade superior aos modelos F-22 Raptor e F-35 Lightning II. Pequim, porém, classifica esses dados como excessivamente otimistas e difíceis de concretizar. A narrativa chinesa chega a descrever a iniciativa americana como um "Sputnik moment", sugerindo que os EUA estariam reagindo defensivamente ao avanço de Pequim, que já revelou o J-36, embora as capacidades deste último permaneçam escassas.
A vulnerabilidade da cadeia de suprimentos também é explorada. A imprensa chinesa destaca que a fabricação de sensores e sistemas eletrônicos do F-47 depende de terras raras, setor dominado globalmente pela China. Embora os EUA busquem diversificar fornecedores por meio de acordos com Austrália e Japão, a dependência do refino chinês permanece, transformando o domínio mineral em uma ferramenta de pressão estratégica.
O projeto do F-47 prevê a integração com drones de combate e plataformas conectadas em rede, representando uma mudança de paradigma na guerra aérea. Com o primeiro voo previsto para 2028, a manutenção do cronograma e a entrega das especificações prometidas serão os fatores determinantes para neutralizar a estratégia de comunicação de Pequim.