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Marinha dos Estados Unidos adapta tubos de torpedo para lançar e recuperar drones autônomos

20 de Abril de 2026 às 08:30

A Marinha dos Estados Unidos contratou a L3Harris Technologies para adaptar tubos de torpedo de submarinos da classe Virginia para o lançamento e recuperação de drones Iver4 900. O sistema permite a execução de missões de vigilância e a transmissão de dados via satélite sem que a embarcação precise subir à superfície

A Marinha dos Estados Unidos está alterando a função histórica dos tubos de torpedo de seus submarinos, transformando equipamentos projetados exclusivamente para o lançamento de armas letais em sistemas de implantação e recuperação de drones autônomos. Para viabilizar essa mudança, a Defense Innovation Unit (DIU), do Departamento de Defesa americano, firmou um contrato com a L3Harris Technologies em 25 de março de 2026 para a implementação do sistema Torpedo Tube Launch and Recovery.

A tecnologia utiliza o Iver4 900, um veículo subaquático autônomo (UUV) compacto que se ajusta ao diâmetro de 21 polegadas dos tubos padrão, utilizados desde a década de 1970 para torpedos Mark 48. Essa compatibilidade permite que os submarinos da classe Virginia, base da frota de ataque nuclear da US Navy, integrem a nova capacidade sem a necessidade de modificar o hardware da embarcação. Equipado com sonar, câmeras e sensores oceanográficos, o drone opera de forma independente em missões de vigilância, detecção de minas e mapeamento do fundo do mar, podendo retornar ao submarino para recuperação após a conclusão da tarefa.

O sistema resolve um gargalo estratégico de comunicação. Atualmente, para transmitir dados, um submarino precisa subir a profundidades rasas e expor sua antena, ficando vulnerável a radares e sonares. Com o novo modelo, o submarino detecta ameaças via sensores acústicos e envia as informações ao drone por um cabo de fibra óptica. O veículo autônomo então emerge para conectar-se a satélites em tempo real, compartilhando inteligência com centros de comando em terra, aviões de patrulha e navios de superfície enquanto a embarcação principal permanece invisível em profundidade.

Essa transição reflete a estratégia de "operações marítimas distribuídas", na qual o submarino deixa de atuar como um caçador isolado para se tornar o centro de comando de uma rede de sensores. A abordagem amplia a área de vigilância e reduz riscos humanos, já que os drones podem explorar zonas perigosas ou portos inimigos; em caso de detecção e destruição do equipamento, a perda é apenas material.

O movimento ocorre em um cenário de corrida global por autonomia subaquática. Em março de 2026, a França testou com sucesso o lançamento e recuperação do drone americano Razorback em um submarino da classe Suffren, no Mediterrâneo. Simultaneamente, a Royal Navy britânica opera o drone CAPSTONE em missões anti-submarino, enquanto a China expande a presença de seus dispositivos autônomos em águas da Ásia-Pacífico.

Embora o contrato atual foque no desenvolvimento e integração, e não na produção em massa, a tecnologia ainda enfrenta desafios operacionais. A transmissão por fibra óptica possui alcance limitado e a necessidade de o drone subir à superfície para comunicação via satélite pode revelar a região de operação do submarino. Apesar disso, a integração nos submarinos Virginia-class consolida a tendência de que os conflitos navais futuros serão conduzidos por máquinas operadas remotamente a centenas de metros de profundidade.

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