Política

Lula defende matriz energética limpa e proteção ao trabalhador durante abertura da Hannover Messe

19 de Abril de 2026 às 18:05

Na Hannover Messe, o presidente Lula defendeu a cooperação com a Europa para a matriz energética limpa e a proteção do trabalhador frente à inteligência artificial. O governo brasileiro prevê um programa de economia verde e indústria 4.0 para 2026, além de buscar parcerias internacionais para a exploração de minérios críticos. O presidente também destacou a redução do desmatamento e a implementação do acordo entre Mercosul e União Europeia

Durante a abertura da Hannover Messe, na Alemanha, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu a construção de uma matriz energética limpa em cooperação com a Europa e a implementação de medidas de proteção ao trabalhador diante do avanço da inteligência artificial. Acompanhado pelo chanceler alemão Friedrich Merz, além de empresários e representantes governamentais, o presidente destacou que o Brasil prioriza a economia verde e a indústria 4.0, com um programa robusto previsto para 2026.

No campo ambiental, Lula reafirmou o compromisso de zerar o desmatamento na Amazônia até 2030, informando que, nos últimos três anos, houve redução de 50% no desmatamento daquela região e de 32% no Cerrado. O presidente ressaltou que 90% da energia elétrica brasileira é limpa e que o país possui potencial para produzir o hidrogênio verde com o menor custo global. Sobre os biocombustíveis, mencionou a adoção de misturas de 30% de etanol na gasolina e 15% no biodiesel, argumentando que a criação de barreiras ao acesso desses produtos é contraproducente para a energia e o meio ambiente.

A pauta econômica incluiu a exploração de minérios críticos para a descarbonização e a transformação digital. Lula pontuou que o Brasil detém a maior reserva mundial de nióbio, a segunda de terra rara e grafita, e a terceira de níquel, embora apenas 30% do potencial mineral esteja mapeado. O objetivo do governo é estabelecer parcerias internacionais com transferência de tecnologia, evitando que o país atue apenas como exportador de matéria-prima.

Sobre o mercado de trabalho, o presidente associou o menor índice de desemprego da história do país à defesa do fim da escala 6x1, propondo a redução da jornada para garantir dois dias de descanso. Lula alertou que a inteligência artificial, embora aumente a produtividade, pode prejudicar o mercado de trabalho se não houver consideração pelo fator humano, além de criticar o uso dessa tecnologia para a seleção de alvos militares sem parâmetros morais ou legais.

No âmbito geopolítico, o presidente classificou como "maluquice" o conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã, afirmando que o Brasil adotou medidas internas para mitigar os impactos, já que importa 30% do óleo diesel utilizado. Lula relacionou a instabilidade no Oriente Médio ao encarecimento do transporte e da energia, além da escassez de fertilizantes, o que gera insegurança alimentar e atinge as populações mais vulneráveis.

O presidente condenou o gasto global de US$ 2,7 trilhões em guerras em meio a profundas desigualdades e solicitou responsabilidade dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU (Estados Unidos, China, Rússia, França e Reino Unido). Criticou ainda o ressurgimento do protecionismo e a paralisia da Organização Mundial do Comércio (OMC), sugerindo a necessidade de refundar a instituição. Por fim, enfatizou a relevância do acordo entre Mercosul e União Europeia, que entrará em vigor em menos de duas semanas, criando um mercado de aproximadamente 720 milhões de pessoas e um PIB de 22 trilhões de dólares.

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