Tecnologia

Estrutura em Tabatinga utiliza múltiplas antenas da Starlink para fornecer internet a moradores

25 de Abril de 2026 às 18:57

Uma instalação de múltiplas antenas Starlink em Tabatinga, Amazonas, redistribui sinal de internet para residentes locais através de fibra óptica. A atividade contraria as regras de revenda da empresa e ignora o espaçamento técnico mínimo entre os terminais. O modelo amplia o volume de dados para múltiplos usuários, sem elevar a velocidade de conexões individuais

Em Tabatinga, no Amazonas, na fronteira com o Peru, surgiu uma estrutura apelidada nas redes sociais de “fazenda de Starlink”. Imagens divulgadas pelo perfil “viajandocomoluiz”, no Instagram, revelam a instalação de dezenas de antenas de internet via satélite operando no mesmo espaço físico para captar o sinal e redistribuí-lo a moradores da região por meio de fibra óptica.

O modelo consiste em utilizar múltiplos terminais como pontos de entrada de conectividade, convertendo o sinal recebido dos satélites em uma rede terrestre. No entanto, essa operação entra em conflito com as regras comerciais da empresa de Elon Musk, que proíbe a revenda do serviço como produto isolado ou de valor agregado sem autorização prévia. Embora a companhia permita o compartilhamento de Wi-Fi em contextos específicos, como em hotéis, embarcações e estabelecimentos comerciais, a venda estruturada de acesso para múltiplos clientes residenciais exige um enquadramento técnico e regulatório diferente.

No aspecto financeiro, a estratégia não gera economia de escala em termos de assinatura. A Starlink mantém a cobrança individualizada por unidade, o que significa que a adição de novos equipamentos a uma conta não cria um plano único ilimitado, resultando em custos mensais proporcionais ao número de terminais ativos.

A disposição física dos equipamentos também apresenta irregularidades técnicas. As imagens mostram as antenas instaladas de forma compacta, desconsiderando a recomendação da empresa de manter um espaçamento mínimo de 0,9 metro entre os centros das bases. A falta desse distanciamento aumenta a probabilidade de interferências de rádio frequência, o que pode degradar o sinal e prejudicar a estabilidade, a latência e o desempenho geral da rede.

Mesmo quando a distância mínima é respeitada, os terminais continuam disputando a capacidade da mesma célula geográfica de cobertura. O uso de várias antenas amplia a capacidade total de tráfego para suportar um volume maior de usuários simultâneos, pois cada terminal atua como uma entrada independente de dados. Contudo, isso não aumenta a velocidade de atividades individuais, como downloads ou chamadas de vídeo, que permanecem limitadas ao desempenho de um único link.

Existem ferramentas de agregação de conexões, como o Speedify, que podem gerenciar a distribuição de pacotes de dados entre diferentes links. Ainda assim, a velocidade final é restringida pelas limitações do terminal, dos satélites e da rede local. A dinâmica funciona de forma análoga ao transporte: possuir dois carros não torna um veículo mais rápido, mas permite transportar mais carga ou passageiros simultaneamente.

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