Economia

Correios fecham o ano de 2025 com prejuízo de R$ 8,5 bilhões

24 de Abril de 2026 às 06:10

Os Correios registraram prejuízo de R$ 8,5 bilhões em 2025, com queda de 11,35% na receita bruta. A estatal captou R$ 12 bilhões em empréstimos e soma 14 trimestres consecutivos de resultados negativos. A gestão implementou planos de demissão voluntária e redução de custos operacionais

Os Correios fecharam o ano de 2025 com um prejuízo de R$ 8,5 bilhões, valor que supera em mais de três vezes o déficit de R$ 2,6 bilhões registrado em 2024. O resultado, que será publicado no Diário Oficial da União, reflete a queda de 11,35% na receita bruta em comparação ao ano anterior, totalizando R$ 17,3 bilhões. O desempenho financeiro foi impactado principalmente pelo aumento dos custos operacionais e pelo provisionamento de obrigações judiciais.

Para enfrentar o cenário de perdas, a estatal captou R$ 12 bilhões em empréstimos junto a instituições financeiras públicas e privadas. A empresa soma agora 14 trimestres consecutivos de resultados negativos, sequência iniciada no último trimestre de 2022.

O presidente da companhia, Emmanoel Schmidt Rondon, atribui a situação a um ciclo em que a escassez de caixa prejudica os pagamentos a fornecedores e compromete a operação, limitando a capacidade de atrair novos contratos ou expandir o volume de trabalho. Rondon destaca que a rigidez da estrutura de custos, baseada em despesas fixas, impede que a redução de gastos acompanhe a queda imediata das receitas.

Esse quadro ocorre paralelamente a uma mudança estrutural no setor, marcada pela "desmaterialização" da carta e pela expansão da logística própria de empresas de comércio eletrônico, que reduziram a dependência dos serviços postais.

No comando da estatal desde setembro do ano passado e com mandato até agosto de 2027, o economista Emmanoel Rondon implementa medidas de reestruturação. Entre elas, a abertura de dois planos de demissão voluntária (PDV). O programa mais recente, ocorrido entre fevereiro e abril deste ano, teve a adesão de 3.181 funcionários, enquanto o PDV 2024/2025 registrou 3.756 desligamentos. A meta inicial era de 10 mil cortes, com a possibilidade de novos planos no futuro.

A gestão também promoveu a renegociação de prazos com fornecedores, a redução de gastos com manutenção de agências e a diminuição de custos com a ocupação de imóveis e operações de entrega e distribuição.

A expectativa da presidência é que a empresa volte a apresentar resultados econômicos positivos a partir de 2027, facilitando a captação de novos recursos. Sobre a privatização, Rondon afirma que o tema não integra a pauta da gestão atual, definindo que tal decisão cabe ao governo federal, enquanto o foco permanece no plano de recuperação para garantir a viabilidade e a integridade da estatal.

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