Polícia Federal prende suspeita de furtar materiais biológicos de laboratório da Unicamp
A Polícia Federal prendeu, em 23 de março, uma suspeita de furtar 24 cepas virais do Laboratório de Virologia e Biotecnologia Aplicada da Unicamp. As amostras, que incluíam coronavírus e dengue, foram recuperadas e enviadas ao Ministério da Agricultura e Pecuária. A Anvisa informou a inexistência de risco à saúde pública
A Polícia Federal prendeu em flagrante, no dia 23 de março, uma suspeita de furtar materiais biológicos do Laboratório de Virologia e Biotecnologia Aplicada da Unicamp. A operação, que contou com suporte técnico da Anvisa, incluiu o cumprimento de dois mandados de busca e apreensão em Campinas e a recuperação das amostras, que foram enviadas para análise do Ministério da Agricultura e Pecuária.
O crime ocorreu em uma instalação de nível de biossegurança 3 (NB-3), inaugurada em 2022 pelo Instituto de Biologia. De acordo com as diretrizes do Ministério da Saúde, esse tipo de ambiente é destinado ao manejo de agentes de classe de risco 3, que apresentam alto risco individual e risco moderado para a comunidade, podendo causar doenças graves ou letais, como o HIV e o Bacillus anthracis. Por essa razão, as estruturas NB-3 exigem protocolos rígidos de contenção, barreiras físicas e controle rigoroso de acesso.
O material subtraído compreendia 24 cepas virais, incluindo amostras de coronavírus humano, herpes, Epstein-Barr, zika, chikungunya, dengue e vírus que infectam animais. Os envolvidos no caso respondem, conforme a responsabilidade individual, por transporte irregular de organismo geneticamente modificado, fraude processual e furto qualificado.
Apesar da natureza do material, a Anvisa informou, em nota de 30 de março, que não identificou hipóteses de emergência de saúde pública decorrentes do episódio. No dia seguinte, a Reitoria da Unicamp reiterou que a agência confirmou a ausência de risco à população e esclareceu que não havia organismos geneticamente modificados entre os itens furtados, classificando o ocorrido como um evento isolado e atípico.
A universidade, que ocupa a segunda posição no ranking THE Latin America 2026, instaurou uma sindicância interna e mantém cooperação com as autoridades judiciais e a Polícia Federal. Para não comprometer o inquérito em curso, a reitoria decidiu não divulgar detalhes técnicos ou o conteúdo específico dos materiais.