China expande instalações de produção de armas nucleares com remoção de moradores em Sichuan
A China expandiu instalações de produção de armas nucleares na província de Sichuan, resultando na remoção de moradores e demolição de áreas rurais. As obras incluem a construção da cúpula XTJ0001 e a modernização de bases e redes logísticas no condado de Zitong
A expansão de instalações ligadas ao programa nuclear da China, na província de Sichuan, resultou na demolição de áreas rurais e na remoção forçada de moradores para a construção de novas infraestruturas de produção de armas. Imagens de satélite revelam que, no entorno do condado de Zitong — região monitorada por agências de inteligência dos Estados Unidos desde a Guerra Fria —, aldeias e moradias foram substituídas por prédios reforçados, cercas de segurança e vias reformadas.
Entre as evidências de expansão, destaca-se a construção do projeto XTJ0001, uma cúpula de concreto e aço às margens do rio Tongjiang. A estrutura, com dimensões equivalentes a 13 quadras de tênis, foi erguida em menos de cinco anos e apresenta características compatíveis com a contenção de materiais radioativos, como plutônio e urânio, incluindo portas blindadas, monitores de radiação e sistemas de tratamento de ar conectados a uma chaminé de ventilação. A instalação é cercada por três camadas de segurança e possui um túnel que adentra a encosta de uma montanha.
A modernização não se limita a prédios isolados, mas abrange a rede logística da região. Estradas reformadas conectam o Sítio 906 a outras três bases nucleares em vales próximos a Zitong. Outras expansões foram identificadas no Sítio 931, que avançou sobre as vilas de Baitu e Dashan, provocando a saída de seus habitantes. Desde 2021, um ponto de transferência entre rodovias e ferrovias também passou por reformas, indicando uma reconfiguração do complexo para aumentar a capacidade produtiva e de suporte a operações de longo prazo.
Questionados em 2022 sobre o confisco de terras, moradores de Sichuan foram informados pelas autoridades locais de que a situação envolvia "segredo de Estado". Atualmente, o Ministério das Relações Exteriores da China afirma não ter conhecimento do caso, enquanto o Ministério da Defesa não respondeu aos questionamentos.
Embora Pequim sustente que sua política nuclear é defensiva, segue a doutrina de "não primeiro uso" e mantém o arsenal no nível mínimo para a segurança nacional, dados indicam um crescimento acelerado. Em janeiro de 2025, o SIPRI e a Federação de Cientistas Americanos estimaram que a China possuía cerca de 600 ogivas nucleares, número significativamente inferior às aproximadamente 3.700 dos Estados Unidos. No entanto, o Pentágono projeta que o país poderá ultrapassar 1.000 ogivas até 2030.
Esse cenário de expansão ocorre em um momento de fragilidade nos acordos globais de controle de armas. O tratado Novo START, entre Estados Unidos e Rússia, expirou em 5 de fevereiro de 2026, eliminando limites bilaterais formais e mecanismos de verificação. A inclusão da China em novos pactos é vista como improvável, dado que Pequim utiliza a disparidade numérica de seu arsenal como argumento, enquanto Washington exige que a expansão chinesa seja considerada em qualquer acordo futuro.
A falta de transparência sobre as obras em Sichuan e a reestruturação do complexo de Zitong elevam o risco de uma nova corrida armamentista. Sem dados verificáveis, a percepção de crescimento da capacidade nuclear chinesa pode levar os Estados Unidos a expandirem seu próprio arsenal como resposta às estimativas de avanço de Pequim.