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Físico vencedor do Nobel alerta que a humanidade pode não sobreviver aos próximos 50 anos

28 de Abril de 2026 às 06:14

O físico David Gross alerta que a humanidade pode não sobreviver aos próximos 50 anos devido à corrida armamentista e ao uso de tecnologias militares automatizadas. O cientista estima que a probabilidade anual de uma guerra nuclear subiu para 2%, enquanto o tratado New START expirou em fevereiro de 2026

A humanidade pode não sobreviver aos próximos 50 anos se persistirem a corrida armamentista, a fragilidade de tratados internacionais e a implementação de tecnologias militares automatizadas. O alerta foi feito por David Gross, físico norte-americano e vencedor do Nobel de Física de 2004 por seus estudos sobre a força nuclear forte, um dos pilares do Modelo Padrão da física de partículas.

Utilizando modelos probabilísticos, Gross estimou que uma chance anual de 2% de ocorrência de uma guerra nuclear resultaria em uma expectativa de 35 anos até que um evento dessa magnitude acontecesse. Embora o cientista ressalte que o cálculo não é uma previsão rigorosa, ele serve como um indicador da deterioração do cenário global. Para Gross, o risco atual é superior ao período pós-Guerra Fria, quando a probabilidade anual era estimada em 1%. Segundo o físico, as últimas três décadas reduziram os mecanismos de controle e ampliaram as tensões entre potências, tornando o ambiente geopolítico mais imprevisível.

Essa vulnerabilidade é corroborada pelo Relógio do Juízo Final, que em janeiro de 2026 foi ajustado para 85 segundos antes da meia-noite, a marca mais próxima do colapso desde sua criação em 1947. O indicador reflete a instabilidade causada por armas nucleares, mudanças climáticas, biotecnologia e inteligência artificial, evidenciando a dificuldade de coordenação internacional e a postura assertiva das grandes potências.

Um fator central para a elevação desse risco é a ausência de novos acordos de contenção. Em 5 de fevereiro de 2026, encerrou-se a vigência do tratado New START, o último pacto bilateral relevante entre Estados Unidos e Rússia para limitar arsenais nucleares estratégicos. O acordo estabelecia limites para ogivas e sistemas de lançamento, além de garantir transparência para evitar escaladas acidentais. Com o fim do instrumento, cresce a probabilidade de uma nova corrida armamentista e a redução da confiança mútua.

Gross pontua que a complexidade do sistema internacional atual, com múltiplos países detentores de armas nucleares, torna as negociações mais fragmentadas do que no contexto bipolar da Guerra Fria. Somado a isso, a integração de sistemas automatizados e inteligência artificial em comandos e monitoramentos militares introduz riscos técnicos, como falhas de algoritmos ou interpretações equivocadas que podem escalar crises rapidamente, mesmo sem a intenção direta de confronto. A velocidade desse desenvolvimento tecnológico supera a capacidade de regulação global.

Apesar do cenário, a lógica da dissuasão nuclear ainda evita embates diretos entre potências, que preferem estratégias indiretas, como sanções econômicas e apoio a aliados. Contudo, a fragilidade do multilateralismo reduz os espaços de diálogo e aumenta a chance de erros estratégicos e decisões unilaterais. Diante disso, Gross defende a retomada urgente de canais de cooperação internacional como a principal ferramenta para evitar escaladas perigosas.

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