Ciência

Esporos de musgo sobrevivem por nove meses expostos ao ambiente externo da Estação Espacial Internacional

19 de Abril de 2026 às 18:05

Esporos do musgo Physcomitrium patens sobreviveram por 283 dias no ambiente externo da Estação Espacial Internacional. Mais de 80% das amostras retomaram a reprodução após exposição ao vácuo, radiação e oscilações térmicas. A resistência é atribuída a uma estrutura protetora externa e a sistemas eficientes de reparo de DNA

Esporos do musgo *Physcomitrium patens*, espécie comum em desertos e no Ártico, demonstraram uma resistência superior às expectativas científicas ao sobreviverem a 283 dias expostos ao ambiente externo da Estação Espacial Internacional (ISS). O experimento, iniciado em março de 2022 via cápsula Cygnus, submeteu a planta a condições extremas simultâneas: vácuo absoluto, microgravidade, secura severa e radiação cósmica, com oscilações térmicas entre -196°C e +100°C.

Ao retornarem à Terra, mais de 80% dos esporos regeneraram-se e retomaram a reprodução. O resultado contrariou a previsão da equipe de pesquisa, liderada por Tomomichi Fujita, da Universidade de Hokkaido, que estimava uma taxa de sobrevivência próxima de zero diante da combinação de fatores estressantes.

A resiliência do vegetal é atribuída a dois mecanismos biológicos principais. Primeiro, a presença de uma estrutura externa semelhante a uma casca, que atua como escudo contra danos químicos e físicos. Segundo, a existência de sistemas de reparo de DNA altamente eficientes, capazes de identificar e corrigir as mutações causadas pela radiação cósmica, permitindo que o ciclo de crescimento seja reiniciado em condições favoráveis.

Este estudo é o primeiro a comprovar que uma planta terrestre primitiva consegue suportar longos períodos no espaço, aproximando-se de resistências já observadas em organismos como os tardígrados. Com base nos dados coletados, modelos matemáticos indicam que esses esporos poderiam sobreviver até 5.600 dias — cerca de 15 anos — no vácuo espacial.

A descoberta oferece suporte técnico à hipótese da panspermia, sugerindo que a vida poderia ter sido transportada entre planetas através de meteoritos ao longo de bilhões de anos, já que o tempo de sobrevivência estimado é compatível com a jornada entre Marte e a Terra. Além disso, o resultado indica que a biologia terrestre possui mecanismos celulares intrínsecos para suportar o ambiente espacial, o que abre caminhos para o uso de organismos semelhantes em futuras missões de colonização e cultivo em habitats extraterrestres, como a Lua ou Marte.

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