Ciência

Pesquisadores da USP descobrem que ondas de ultrassom podem inativar vírus sem comprometer células humanas

20 de Abril de 2026 às 12:06

Pesquisadores da USP identificaram que ondas de ultrassom entre 3 e 20 MHz inativam vírus envelopados, como H1N1 e SARS-CoV-2, via ressonância acústica. O método rompe a membrana viral sem danificar células humanas e mantém a eficácia contra variantes. O estudo, publicado em 17 de abril de 2026, testa agora a aplicação contra dengue, zika e chikungunya

Pesquisadores da Universidade de São Paulo identificaram que ondas de ultrassom de alta frequência, entre 3 e 20 MHz, são capazes de inativar vírus envelopados, como o H1N1 e o SARS-CoV-2, sem comprometer as células humanas. O processo ocorre por meio da ressonância acústica, na qual a energia sonora se acopla à estrutura do vírus, provocando alterações físicas que culminam na ruptura de sua membrana protetora.

A eficácia do método baseia-se na geometria das partículas virais. Por serem esféricas, esses vírus absorvem a energia do ultrassom com maior eficiência, o que acelera a degradação do envelope e causa a ruptura mecânica do agente infeccioso. Esse fenômeno, descrito como um "efeito pipoca", impede que o vírus invada as células humanas sem a necessidade de alterar o pH ou a temperatura do ambiente.

Diferente da cavitação utilizada na limpeza de instrumentos cirúrgicos e odontológicos — que opera em baixas frequências e destrói qualquer material biológico —, a ressonância acústica atua de forma seletiva. Como a técnica foca na estrutura física do envelope e não em mutações genéticas, a eficácia do mecanismo não é afetada por variantes, como as linhagens delta e ômicron.

O estudo, publicado em 17 de abril de 2026, apresenta a estratégia como uma alternativa sustentável, pois não gera resíduos químicos nem estimula a resistência viral. Devido à dificuldade de desenvolvimento de antivirais tradicionais, a abordagem física surge como uma via promissora para o tratamento de diversas doenças. Atualmente, a equipe conduz testes in vitro para expandir a aplicação do método contra vírus da dengue, zika e chikungunya.

A investigação foi resultado de uma cooperação multidisciplinar envolvendo físicos teóricos e acústicos do Instituto de Física de São Carlos da USP, além de especialistas em virologia e doenças inflamatórias da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto. Participaram também pesquisadores da Unesp e da Faculdade de Ciências Farmacêuticas, que realizaram análises toxicológicas e estruturais via espalhamento de luz e microscopia. O projeto contou com a colaboração de Charles Rice, professor da Universidade Rockefeller e Nobel de Medicina de 2020, que disponibilizou vírus fluorescentes para a visualização do processo em tempo real.

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