Ciência

Pesquisadores identificam mais de 100 estruturas arqueológicas do povo Chachapoya no Peru

20 de Abril de 2026 às 12:06

O World Monuments Fund identificou mais de 100 estruturas arqueológicas do povo Chachapoya em Gran Pajatén, no Peru. A pesquisa utilizou tecnologias de registro remoto, como varreduras LiDAR, para mapear assentamentos conectados por caminhos. As descobertas expandem o registro anterior de 26 construções documentadas na década de 1980

A identificação de mais de 100 estruturas arqueológicas anteriormente desconhecidas em Gran Pajatén, localizado no Parque Nacional Río Abiseo, no Peru, altera a compreensão sobre a ocupação do povo Chachapoya na região da floresta nublada andina. O achado, divulgado pelo World Monuments Fund, indica que o local não era um complexo isolado, mas parte de uma rede articulada de assentamentos pré-hispânicos conectados por caminhos.

Entre 2022 e 2024, a pesquisa substituiu as escavações extensivas por tecnologias de registro remoto para preservar o ambiente sensível do parque. A equipe utilizou varreduras LiDAR aéreas e manuais, fotogrametria, registro topográfico e análise tecnomorfológica, o que permitiu mapear construções ocultas sob a vegetação e documentar a organização espacial do sítio sem intervenções invasivas.

A nova leitura territorial expande significativamente o conhecimento anterior; na década de 1980, apenas 26 estruturas haviam sido documentadas no local, que foi redescoberto modernamente nos anos 1960. Os Chachapoya, que habitaram os Andes do nordeste peruano entre os séculos VII e XVI, deixaram em Gran Pajatén marcas arquitetônicas como edifícios circulares, plataformas cerimoniais, terraços agrícolas, relevos geométricos e estruturas funerárias em áreas de difícil acesso.

As investigações de campo confirmaram a presença desse povo no sítio ao menos desde o século XIV, embora análises de camadas de solo sugiram que a área possa ter sido utilizada em períodos ainda mais remotos. A relevância do trabalho, segundo a presidente e CEO do World Monuments Fund, Bénédicte de Montlaur, reside tanto na escala dos registros quanto na metodologia científica que não comprometeu a integridade do parque.

O Parque Nacional Río Abiseo, criado em 1983 e reconhecido como Patrimônio Mundial pela Unesco, combina ecossistemas de cânions, páramos e floresta montana. Esse terreno acidentado e o isolamento geográfico ajudaram a preservar os vestígios ao longo de milênios, mas também dificultaram pesquisas sistemáticas e limitaram a visitação pública.

Para mitigar a deterioração causada pelo tempo e pela umidade, a equipe realizou intervenções pontuais de conservação, incluindo a estabilização de relevos em pedra, o reforço de escadas e a remontagem parcial de um muro perimetral. Complementarmente, a instituição aposta na documentação digital e em modelos tridimensionais para democratizar o acesso ao patrimônio sem aumentar a pressão turística sobre a área vulnerável.

O impacto dessas descobertas foi levado ao público por meio de uma exposição gratuita no Museo de Arte de Lima, realizada entre 21 de maio e 18 de junho de 2025. A mostra apresentou materiais das pesquisas recentes, reforçando a tese de Juan Pablo de la Puente Brunke, diretor executivo do World Monuments Fund no Peru, de que as evidências confirmam a existência de vínculos físicos e funcionais entre diferentes núcleos da cultura Chachapoya.

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