Sonda da Agência Espacial Europeia investigará a mecânica de desvio de asteroides na missão Hera
A Agência Espacial Europeia lançou a sonda Hera em 7 de outubro de 2024 para analisar o sistema Didymos-Dimorphos em novembro de 2026. A missão complementa o experimento da NASA que alterou a órbita do asteroide Dimorphos para estudar a mecânica do desvio por impacto. A nave utilizará 12 instrumentos e dois CubeSats para mapear a cratera e medir a massa e a estrutura interna do corpo celeste
A Agência Espacial Europeia (ESA) conduz atualmente a missão Hera, cujo objetivo é transformar a prova de conceito de desvio de asteroides em uma técnica de defesa planetária previsível e calculável. A sonda, lançada em 7 de outubro de 2024 do Cabo Canaveral por um foguete Falcon 9 da SpaceX, deve chegar ao sistema Didymos-Dimorphos em novembro de 2026, após dois anos de viagem.
A operação é a etapa complementar de um experimento iniciado em 26 de setembro de 2022, quando a nave DART, da NASA, colidiu intencionalmente contra o asteroide Dimorphos a 6,6 quilômetros por segundo. O impacto da sonda de 570 quilogramas alterou a órbita do corpo celeste — que possui cerca de 160 metros de diâmetro — em 33 minutos, reduzindo seu período orbital ao redor do asteroide maior, Didymos, de 11 horas e 55 minutos para 11 horas e 22 minutos. Esse resultado foi 25 vezes superior ao mínimo necessário para validar a técnica.
Enquanto a DART comprovou a possibilidade de movimentar um asteroide, a Hera busca compreender a mecânica desse processo. A sonda, que mede 2,2 por 2 por 1,8 metros e pesa 1.214 quilogramas com combustível, utilizará 12 instrumentos científicos alimentados por painéis solares de 8,7 metros quadrados. Durante seis meses de investigação, a nave se aproximará a apenas um quilômetro da superfície para mapear a cratera do impacto, medir a massa e a estrutura interna dos asteroides, além de analisar se o choque expôs camadas profundas ou escavou material da superfície. Para apoiar a coleta de dados, a Hera liberará dois mini-satélites CubeSats.
Essas informações são essenciais para calcular o "fator beta", que define a eficiência real do desvio por impacto. Atualmente, telescópios terrestres conseguem medir apenas a mudança orbital, mas não a composição do material ejetado ou a profundidade da cratera. A análise da estrutura interna de Dimorphos é fundamental, pois a dissipação do impacto varia se o asteroide for um corpo sólido ou um aglomerado frouxo de rochas.
O trajeto da sonda incluiu eventos singulares, como a passagem pela cauda cometária do objeto interestelar 3I/ATLAS em outubro de 2025 e uma manobra de espaço profundo entre fevereiro e março de 2026, comparada por engenheiros a uma aceleração de estacionário para supersônico. A transição para o rendezvous com o asteroide ocorrerá em outubro de 2026, por meio de queimas precisas de motor.
A missão, que integra o Programa de Segurança Espacial da ESA e é monitorada pela rede de estações terrestres Estrack, enfrenta a dificuldade técnica de localizar Dimorphos, um corpo pequeno e escuro. Para mitigar riscos, a sonda recebe atualizações constantes de software para otimizar as manobras de aproximação.
O projeto é fruto de uma colaboração de 14 anos entre NASA e ESA, iniciada em 2013. Embora não existam asteroides em rota de colisão com a Terra nos próximos séculos, a iniciativa visa prevenir catástrofes semelhantes à extinção dos dinossauros há 66 milhões de anos ou danos causados por corpos de 100 a 300 metros, capazes de devastar cidades e gerar tsunamis. Com a execução conjunta DART-Hera, Estados Unidos e Europa assumem a liderança em defesa planetária, superando agências como a russa Roscosmos e a chinesa CNSA.